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Dilma cobra lealdade e diz que ‘esperteza tem vida curta'

Daiene Cardoso e Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 21h 29

Presidente dá recado durante convenção do PSD, que ao lado do PP oficializou o apoio ao projeto reeleitoral

A presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quarta-feira, 25, “lealdade” dos aliados para uma campanha “que exigirá muito”. Em discurso na convenção do PSD que selou o apoio à sua reeleição, ela afirmou: “Engana-se quem defende a tese de que não há compatibilidade entre a lealdade a política. Tem uma espécie de esperteza que tem vida curta. A política que aprendi a praticar ao longo da minha vida desde a minha juventude, que me levou inclusive à prisão, ela implica em construir relações que sejam baseadas, como disse muito bem Guilherme Afif Domingos (vice-governador de São Paulo e ministro da Micro e Pequena Empresa), não em conveniências, mas em convicções”, disse a petista.

O recado ocorre após o PTB, antigo aliado, ter desembarcado de seu projeto para apoiar a candidatura de Aécio Neves à Presidência e que outros partidos, como o PR, cobram caro pelo apoio à reeleição. Além do PSD, o PP, mesmo dividido, também anunciou ontem a adesão à petista.

No discurso da convenção do PSD, Dilma pediu serenidade para que os aliados não aceitem “provocações que buscam rebaixar o nível do debate, que buscam acirrar o antagonismo”. “Quem precisa fazer campanha negativa é quem não tem projetos, quem não tem propostas para o País, quem não tem o que mostrar”, atacou ela.

Dilma também alfinetou os adversários que defendem o discurso da mudança. “Ninguém pode achar que encerrou a mudança”, afirmou a presidente. “Quem pode fazer mais é quem fez mais até agora, somente quem fez transformações rápidas e profundas pode garantir um ciclo ainda mais amplo e duradouro de mudanças”, emendou.

Divisão. Se com o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab o acordo esbarrou em poucas resistências, a convenção do PP foi marcada por protestos de integrantes do partido que não aceitam a adesão à campanha de Dilma. A presidente, inclusive, não compareceu ao evento para evitar constrangimentos, uma vez que segmentos do partido defendem a aliança com Aécio.

A convenção teve tumulto, rebelião de dissidentes e deliberação da Executiva Nacional “à toque de caixa”. O encontro foi marcada por discursos contrários à manutenção da aliança com o PT. Entre palmas e vaias, coube ao deputado federal e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PB) rebater os dissidentes com o argumento de que o PP comanda o Ministério das Cidades há quase 10 anos e que não poderiam se comportar agora de maneira “oportunista”. “Para mim a pior posição na vida é não ter posição: ou somos governo ou somos oposição”, disse.

Em meio a discursos acalorados, o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), colocou em votação uma resolução que dava à Executiva a palavra final sobre a aliança presidencial e rapidamente declarou aprovada a proposta. Minutos depois, o senador anunciou que os membros da Executiva, reunidos à portas fechadas, haviam aprovado “por unanimidade” o apoio a Dilma.

A senadora Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul e uma das defensoras da neutralidade da sigla, protocolou ontem à noite uma ação cautelar no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a suspensão dos efeitos da convenção. “Estou desolada”, disse a senadora.

O PP liberou os diretórios estaduais a apoiarem candidatos de outros partidos, incluindo os de oposição. O mesmo vai acontecer com o PSD de Kassab. / COLABORARAM BERNARDO CARAM E ERICH DECAT 

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