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Dilma cede a aliado e troca comando do Ministério dos Transportes

Vera Rosa e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 11h 39

Presidente acata pedido do PR, que exigiu saída de ministro em troca de apoio à reeleição; Paulo Sérgio Passos será o novo titular

Atualizado às 21h58 - Brasília -A presidente Dilma Rousseff cedeu nesta quarta-feira, 25, à pressão do PR e trocou o titular do Ministério dos Transportes. Para garantir o apoio à reeleição, a presidente tirou César Borges da pasta, como exigia a cúpula da sigla aliada, e o substituiu por Paulo Sérgio Passos, que já havia sido ministro da área e presidia, há oito meses, a Empresa de Planejamento e Logística.

A troca foi uma exigência do ex-presidente do PR e ex-deputado Valdemar Costa Neto. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão e cumprindo pena em Brasília, Costa Neto é quem manda de fato no partido.

Ele se desentendeu com Borges por avaliar que ele não ajudava o PR. Se ficasse no cargo, ameaçou, não haveria apoio a Dilma. Falou até em levar o PR para a aliança de apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves, seguindo o mesmo caminho do PTB, que abandonou a coligação governista na semana passada.

Pressionada, Dilma fez um novo arranjo na equipe e acomodou Borges na Secretaria dos Portos, que tem status de ministério. Sem vínculo político, o economista Antonio Henrique, então titular de Portos, passou a secretário executivo da pasta.

 

A mudança no ministério anunciada nesta quarta, a menos de quatro meses da eleição e a cerca de seis meses do fim do mandato da petista, foi decidida na noite de terça-feira, durante reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada.

 

Na conversa, Dilma, Lula, o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), o marqueteiro João Santana e outros integrantes da campanha avaliaram que não era conveniente comprar nova briga com o PR. Em 2011, Dilma trocou toda a cúpula dos Transportes e das empresas subordinadas ao ministério, no rastro da “faxina ética”, mas reabilitou o PR no ano passado.

 

Complexo. Questionada pelo Estado se as negociações com os partidos estavam mais difíceis agora, Dilma abriu um sorriso. “A vida é muito mais complexa do que parece.” Com 31 deputados e quatro senadores, o PR deve dar a Dilma aproximadamente 1 minuto na propaganda eleitoral, a partir de agosto.

 

Para ganhar o apoio do PR, que fará convenção na segunda-feira, a presidente também pode trocar o comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, embora ainda resista às mudanças. No PR, a substituição do diretor-geral do Dnit, Jorge Fraxe, é dada como certa. Para a cadeira de Fraxe a sigla quer Anderson Cabral Ribeiro, ex-superintendente do Dnit em Goiás e no Distrito Federal.

 

A rebelião do PR foi abortada na manhã de quarta, quando dirigentes estiveram no Planalto e conversaram com Mercadante e com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. No Alvorada, Dilma chamou Borges, disse que gostava de seu trabalho e que ele ficaria na equipe, mas em outro ministério.

Depois, foi a vez de avisar a Paulo Sérgio Passos que ele voltaria para os Transportes, cargo que deixou, no governo Dilma, por pressão do próprio PR. “Não houve exigência nenhuma nem essa história de faca no pescoço”, afirmou Berzoini.

Em conversas reservadas, dirigentes do PR dizem que Dilma prometeu deixar o comando do Ministério dos Transportes com o partido, em eventual segundo mandato. O nome que o PR sonha para a pasta, a partir de 2015, é o do senador Antonio Carlos Rodrigues (SP), secretário-geral do partido que tem trânsito com o PT. “A presidente tomou a decisão dela de fazer a substituição. Vamos aguardar. Não questiono o César Borges do ponto de vista administrativo, mas político”, disse Rodrigues. O PR é parceiro do PT desde a eleição de 2002, quando se chamava PL e apresentou José Alencar como vice de Lula.