André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma anuncia reforma ministerial nesta sexta

Nesta quinta, ela esteve reunida com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o vice-presidente Michel Temer para definir os últimos detalhes e tentar equacionar os impasses com o PMDB

Vera Rosa e Adriano Ceolin, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 19h54

Atualizado às 22h06

Brasília - Depois de muitos recuos, a presidente Dilma Rousseff prometeu anunciar nesta sexta-feira, 2, a reforma ministerial, feita sob medida para barrar pedidos de impeachment, recompor a base aliada no Congresso e aprovar o pacote fiscal. A reforma vai encolher o espaço do PT na Esplanada e ampliar o do PMDB, fiel da balança para conter a tramitação de eventual processo de impedimento da presidente.

Na tentativa de sinalizar unidade do governo, Dilma pediu ao vice-presidente Michel Temer para comparecer ao anúncio da reforma marcado para esta manhã. O vice, que é também presidente nacional licenciado do PMDB, cancelou uma viagem que faria logo cedo para ficar em Brasília. Prestigiar Temer foi uma das principais recomendações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ontem esteve na capital federal para participar dos acertos finais da reforma.

Ao reunir-se com a presidente, Lula voltou a pedir que Dilma não deixasse nenhuma ala do PMDB desabrigada. O ex-presidente assegurou, ainda, que o PT entenderá a perda de cargos. Para Lula, a reforma servirá como um “recomeço” do segundo mandato de Dilma, na tentativa de virar a página da crise política e econômica. 

Por indicação de Lula, o PMDB teve seu espaço ampliado no governo. O partido detinha seis pastas e agora passará a ter sete. O ex-presidente afirmou a Dilma que reforma não necessariamente precisaria cortar dez dos 39 ministérios, como a presidente havia prometido. “Não é um número cabalístico. Pode ser nove, pode ser onze e pode ser mais”, comentou ele.

Quando foi anunciada no começo de setembro, a reforma ministerial buscava diminuir o tamanho da Esplanada a fim de sinalizar que o governo estava “cortando na própria carne”. A ideia era atenuar as críticas ao ajuste fiscal apresentado pela equipe econômica. O pacote fiscal estabelece cortes de até R$ 26 bilhões e prevê o aumento da receita por meio do reajuste e recriação da CPMF. 

Força de Lula. A reforma do governo indica a retomada da influência do ex-presidente Lula sobre as decisões do Palácio do Planalto. Ele conseguiu tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil e emplacar Jaques Wagner, sua opção inicial para o cargo neste segundo mandato de Dilma. Ex-governador da Bahia, Wagner troca o Ministério da Defesa por uma Casa Civil mais encorpada. Além disso, o atual ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, outro homem da confiança de Lula, assumirá a articulação política de Dilma com o Congresso na nova Secretaria de Governo. Lula também terá no Planalto o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. 

Foco de maior turbulência, e onde ainda há 22 dos 66 deputados contra a adesão ao governo, a bancada do PMDB ganhou o poderoso Ministério da Saúde. O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) ocupará o lugar do petista Arthur Chioro, demitido na terça-feira por telefone.

Além da Saúde, a bancada da Câmara ficará com mais uma pasta, o Ministério de Ciência e Tecnologia, que ficará com Celso Pansera (PMDB-RJ), aliado de Eduardo Cunha. Ontem, já foi confirmado que o atual ministro Aldo Rebelo (PC do B) passará a ocupar a Defesa no lugar de Jaques Wagner. / COLABORARAM ISADORA PERON, DANIEL CARVALHO e CARLA ARAÚJO

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