Dilma anuncia R$ 5,4 bi para mobilidade em SP

Com agenda focada na região Sudeste desde a metade do ano, presidente volta a São Paulo e diz que cidade não pode ficar associada à imagem de trânsito ruim

Atualizado às 13h20, Gustavo Porto e Ricardo Chapola

25 Outubro 2013 | 12h46

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta sexta-feira, 25, que não é possível aceitar que os brasileiros percam parte do seu dia na "ida e volta para casa". Durante anúncio de investimentos de R$ 5,4 bilhões em recursos do PAC da Mobilidade, a presidente defendeu que a capital não fique associada a imagem de congestionamentos.

"Não podemos deixar que a imagem de São Paulo se associe à da dificuldade de trânsito", reiterou Dilma, no Palácio dos Bandeirantes. A presença da presidente no Estado ocorre num momento em que a petista vem intensificando sua agenda de viagens a cidades do Sudeste, em especial São Paulo e Minas Gerais, onde esteve nessa quarta-feira, 23, para inauguração de uma creche. Minas é reduto eleitoral do senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência em 2014. Em menos de três meses, foi sua oitava agenda oficial no Estado.

Ainda em abril, o Estado mostrou que Dilma priorizaria viagens para cidades paulistas e mineiras como parte da estratégia para quebrar a resistência de parte do eleitorado ao PT. Já a pauta da mobilidade ganhou força após as manifestações de junho. Anúncio parecido ao feito nesta sexta em São Paulo também deve ocorrer em Minas, segundo atencipou a própria presidente.

Dilma afirmou que há "um déficit histórico do Brasil" pela ausência de política de mobilidade coordenada nos três níveis do governo. Nas décadas passadas, o metrô era inadequado pelo custo, segundo a presidente, lembrando do avanço nos investimentos recentes. "Em 2005 recebi no meu gabinete um funcionário que comemorava os R$ 500 milhões de investimento em saneamento", disse a presidente.

No discurso, ela voltou a provocar o Fundo Monetário Internacional (FMI), que nesta semana alertou sobre a economia brasileira. "Foi bom ter pagado a dívida com o Fundo Monetário que não supervisiona mais as nossas contas". A presidente também citou a parceria com os outros entes de governo, que permite que prefeitos, presidente e governo do Estado tenham ação coordenada e comum para atacar um dos mais graves problemas que é a mobilidade urbana. "Reconhecer esse problema mostra que as autoridades convergiram para um projeto comum", afirmou, destacando: "Temos decisão política de participar juntos de esforços dos prefeitos."

Dilma considerou que investir no metrô é "absolutamente essencial", porque garante transporte sem interrupção do trânsito com escoamento rápido e seguro. "Metrô é o grande eixo de integração de modais, principalmente em áreas conturbadas e adensadas". A presidente afirmou que os investimentos fazem parte do amadurecimento do País e caminham no sentido de abandonar "o complexo de vira-lata", citando o escritor Nelson Rodrigues sobre o pessimismo antes da Copa de 1970, vencida pelo Brasil.

"Esse complexo tem de ser superado no caso dos transportes que hoje reconhecemos ser estratégico para o País. É estratégico o investimento em mobilidade urbana", disse. "É obra de alto custo e exigem parceria e ação coordenada", completou, lembrando do financiamento que viabilizam as obras. "São juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. Sem ter esse tipo de financiamento não sai obra de longo prazo no Brasil."

Ainda segundo ela, os recursos totais para a área chega a R$ 21 bilhões. "Estamos construindo, renovando 2.257 quilômetros de vias para transporte em todo o País. E o governo vai investir R$ 140 bilhões em mobilidade urbana no total."

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