Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma antecipa volta para Brasília

Aterrissagem em Brasília ocorreu por volta das 11h30; com isso, Temer, quando receber Henrique Meirelles na tarde de hoje, não estará mais na interinidade como presidente da República

Tânia Monteiro, Adriano Ceolin, O Estado S. Paulo

23 Abril 2016 | 10h42

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff antecipou sua volta para o Brasil. Ainda na noite de ontem, depois de dar o seu recado em várias entrevistas para a imprensa estrangeira e brasileira, a presidente decidiu regressar ao País. Ela aterrissou em Brasília por volta das 11h30.

Com isso, o vice-presidente Michel Temer, quando receber Henrique Meirelles na tarde de hoje, no Palácio do Jaburu, não estará mais na interinidade, como presidente da República. Temer quer conversar com Meireles sobre a possibilidade de ele assumir o Ministério da Fazenda, em caso de impeachment da presidente Dilma. Anteriormente, a chegada de Dilma em Brasília estava prevista para 23h25 de hoje, segundo informações do Blog do Planalto.

A presidente Dilma Rousseff mandou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, participarem da reunião da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), marcada para hoje, sábado, em Quito, no Equador. A ideia é que os dois busquem um apoio mais explícito da entidade contra a abertura de processo de impeachment. Trata-se de uma investida para fragilizar o vice Michel Temer, que assumirá o comando do País se o Senado referendar o afastamento de Dilma já aprovado pela Câmara dos Deputados.

Conforme o Estado apurou, a equipe de Temer suspeita que Vieira e Garcia convençam a Unasul a acionar uma cláusula democrática contra o Brasil, o que poderia causar danos comerciais, institucionais e políticos ao País. Numa situação mais drástica,  o Brasil pode ser até suspenso do bloco de nações, como aconteceu com o Paraguai quando o então presidente Fernando Lugo foi deposto do cargo, em 2012.

De acordo com o roteiro que a reportagem teve acesso, a ação de Dilma contaria com a ajuda do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, que desde o ano passado tem feito críticas à abertura de processo de impeachment. Afinados ideologicamente com Dilma, os presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Nicolás Maduro, também dariam a aval à ação. A maior resistência, porém, seria a Argentina, comandanda por Maurício Macri desde dezembro passado

A reunião da Unasul - que estava totalmente esvaziada - tinha por objetivo apenas transmitir a presidência pró-tempore da Unasul do Uruguai para a Venezuela. Até ontem, não estava definida a participação dos representantes dos países. 

De última hora, governo brasileiro resolveu se fazer presente para aproveitar a oportunidade para sensibilizar a comunidade internacional contra o processo de impeachment. 

Ontem, a presidente abriu mão de usar a palavra "golpe" ao discursar na tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU). Dilma, no entanto, sugeriu que o País pode passar por um "retrocesso".

Em entrevista após o evento na ONU, a presidente afirmou que quer que a Unasul e o Mercosul avaliem o processo que está ocorrendo no Brasil. "Está em curso no Brasil um golpe, então eu gostaria que o Mercosul e a Unasul olhassem esse processo. A cláusula democrática implica em uma avaliação da questão. Nós sempre fazemos essa avaliação", afirmou a presidente.

No Itamaraty,  a ação de Dilma está sendo criticada. A ideia de enviar Marco Aurélio e Mauro Vieira a Quito foi da discutida e aprovada pela própria presidente Dilma. O governo está evitando informar o tom que ambos adotarão no encontro. Garcia e Vieira viajaram de Nova York diretamente para Quito.

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