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Dilma adota tática antivaia, mas mesmo assim ouve coro de protestos no estádio

O Estado de S. Paulo

12 Junho 2014 | 22h 02

Presidente faz saudação à Copa do Mundo apenas na internet, participa de eventos fechados com chefes de Estado, responde com frases curtas a questões de jornalistas e, na Arena Corinthians, ouve gritos ofensivos e dirigidos a ela e à Fifa

José Patrício/Estadão
Figas.Dilma ao lado de Blatter, Renan, Temer e da filha

 

São Paulo - Pré-candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff adotou uma tática discreta a fim de evitar vaias nesta quinta-feira, 12, dia da abertura da Copa do Mundo no Brasil, mas acabou sendo alvo de protestos na Arena Corinthians, em São Paulo, onde o time brasileiro venceu a equipe croata por 3 a 1.

Por três vezes, parte dos torcedores um coro ofensivo à presidente. A primeira após ela chegar ao estádio, a segunda depois da execução do hino nacional e a terceira no finalzinho do jogo. Após a partida, assessores da presidente em Brasília afirmaram que a hostilidade contra ela no estádio já era esperada mas que a agressividade surpreendeu.   

Ainda durante a partida, quando Neymar fez o gol de pênalti, Dilma e o vice, Michel Temer, foram mostrados no telão do estádio comemorando bastante. Acabaram vaiados. A exibição não estava no script. Havia uma ordem da Fifa para não mostrá-la, justamente para evitar a saia-justa.

Cerca de 61 mil pessoas compareceram ontem à abertura da Copa. O preço pago pelos ingressos variou, no mercado oficial, de R$ 160 a R$ 990.

A petista fez de tudo para evitar exposição excessiva nesta quarta. Como esperado, abriu mão do tradicional discurso presidencial de abertura dos jogos. Há algumas semanas, ela disse num jantar com jornalistas que desistiu de falar a pedido do presidente da Fifa, Joseph Blatter - ele também foi alvo de protesto ontem no estádio da zona leste paulistana.

Dilma também evitou discursos públicos nos eventos dos quais participou antes do jogo.

Pela manhã, teve um encontro com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, no Palácio do Planalto. Abordada por jornalistas ao final da reunião, afirmou: “Hoje eu não falo, hoje é assim...”, fazendo sinal de positivo com as mãos. A presidente viajou em seguida para São Paulo. Aproveitou para falar pela internet: postou tuítes exaltando a Copa.

Já na capital paulista, almoçou num hotel com chefes de Estado que vieram ao Brasil em razão do evento e fez um breve discurso a portas fechadas. Lá dentro, pediu para que todos cantassem parabéns, cada um na sua língua, pelo aniversário do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Dilma cantou em inglês.

Na saída, a presidente foi novamente abordada por jornalistas, que queriam ao menos uma declaração sobre o seu palpite para o jogo. “Concentração! Concentremo-nos”, respondeu ela.

 

 

 

A cautela de Dilma ao se expor ontem está num contexto de queda de popularidade - a mais recente pesquisa Ibope mostra que, pela primeira vez desde que ela tomou posse, em 2011, o índice de pessoas que consideram seu governo ruim ou péssimo é maior do que o índice dos que o consideram bom ou ótimo.

Em junho do ano passado, em meio à série de manifestações que tomou o País, Dilma foi vaiada ao discursar na abertura da Copa das Confederações, evento de preparação para o mundial.

Desde então, a mistura de protestos, gastos públicos com a Copa e sentimento de insatisfação se tornou um problema para o governo. O Planalto começou a investir em publicidade para tentar promover o evento e se defender das críticas sobre o desembolso excessivo de dinheiro.

Na terça-feira, a presidente usou a cadeia nacional de TV para defender obras da Copa e chamar de “pessimistas” seus opositores. A ideia foi compensar a ausência de discurso ontem no estádio - desde 1986, os mundiais de futebol são abertos oficialmente pelo presidente do país-sede.

No fim do dia, Dilma voltou à internet para elogiar os “belíssimos gols” da seleção. / JAMIL CHADE, FERNANDO PAULINO, ISADORA PERON e LISANDRA PARAGUASSU

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