Ueslei Marcelino/Reuters - 27.01.2015
Ueslei Marcelino/Reuters - 27.01.2015

Dilma aceita 'porteira fechada' para cargos do 2º escalão

Após derrota na Câmara, presidente permite que siglas aliadas preencham órgãos ligados aos ministérios que dirigem; orçamento é de R$ 105,7 bilhões

JOÃO DOMINGOS, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2015 | 02h01

BRASÍLIA - Na tentativa de recompor sua base de apoio no Congresso após a derrota que sofreu na eleição para a presidência da Câmara, a presidente Dilma Rousseff cedeu à pressão dos partidos e aceitou que eles indiquem os dirigentes de estatais e autarquias e outros órgãos ligados aos ministérios que dirigem. No jargão político, esse tipo de ocupação de espaço é chamado de "ministério com porteira fechada". As empresas disputadas têm orçamento de R$ 105,7 bilhões para este ano.

Todos os presidentes dos dez partidos que ocupam espaço na Esplanada dos Ministérios já foram avisados da decisão.

De acordo com informações de bastidores do governo, Dilma pediu aos dirigentes partidários que se entendam e não queiram invadir o espaço do outro. Quando isso ocorrer, eles deverão levar até o Planalto a lista com os nomes dos indicados para os cargos de segundo e terceiro escalões. A Casa Civil fará, então, uma triagem entre as escolhas técnicas e políticas para depois anunciar os contemplados.

Mesmo com a recomendações de Dilma, há disputa entre os partidos pelo controle de órgãos considerados importantes para a visibilidade das legendas. É o caso do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O PMDB, tendo à frente o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (RN), lutam para manter Walter Sousa à frente da autarquia. O PP, que controla o Ministério da Integração Nacional, exige nomear para a diretoria-geral d0 Dnocs o ex-deputado Paulo Henrique Lustosa, do Ceará.

Compensação. O PP perdeu o Ministério das Cidades para o PSD de Gilberto Kassab e foi um dos primeiros a exigir a compensação da "porteira fechada" à presidente. Para dar o recado, a sigla apoiou a candidatura do peemedebista Eduardo Cunha contra o candidato oficial, o petista Arlindo Chinaglia (SP). Como Dilma saiu derrotada na Câmara, ela não perdeu tempo e mandou dizer ao presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), que atenderá às reivindicações do partido.

As reclamações pela perda de espaço é grande também na tendência petista Construindo um Novo Brasil (CNB), à qual pertencem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão.

Por ter recebido poucos ministérios, a CNB exige da presidente a nomeação de seus integrantes para cargos nas estatais. Um deles é a ex-ministra Miriam Belchior, que perdeu o Ministério do Planejamento. Os petistas querem que ela seja nomeada para a presidência da Caixa Econômica Federal. Outro é o ex-deputado Roberto Carlos Braga, que disputou e perdeu o governo do Espírito Santo. Dilma já recebeu da ala petista o pedido para que ele seja nomeado para a Companhia Docas do Estado (Codesa).

O critério da "porteira fechada", porém, terá exceção. Dilma determinou que em casos específicos a escolha será dela própria, assim como aconteceu com alguns ministérios.

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