Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Desdobramentos do caso J&F: relembre a última semana

A semana do feriado foi agitada, com reviravoltas para três delatores e possibilidade de rescisão do polêmico acordo com o MPF

O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 10h54

A semana do feriado do dia 7 de Setembro foi intensa no que diz respeito ao caso da J&F, com reviravoltas para três delatores e possibilidade de rescisão do polêmico acordo de colaboração firmado com o Ministério Público. Há uma semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a possibilidade de rever os benefícios concedidos a Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis, após a suspeita de omissão de informações durante a delação. De lá para cá, um ex-procurador da República foi colocado sob suspeita, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram citados em uma gravação aparentemente gravada por acidente, e Joesley - que duvidava até o fim de sua prisão - foi preso temporariamente, ao lado de Saud.

+++ Até o fim, Joesley acreditou que escaparia ileso

Parece muito para uma semana, mas os episódios deste caso não terminaram. Na próxima quarta-feira, 13, o plenário do STF discutirá a validade das provas obtidas no acordo de colaboração da J&F, que passou a ser questionada pela defesa do presidente Michel Temer. Na mesma sessão, a Corte julgará o pedido de suspeição contra o procurador-geral, também apresentado pelos advogados de Temer. 

Se você ficou offline nos últimos dias com o feriado prolongado, relembre os principais acontecimentos do caso.  

SEGUNDA-FEIRA, 4: PRONUNCIAMENTO DE JANOT

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez um pronunciamento na segunda-feira, 4, em que anunciou a abertura de investigação que poderia levar à rescisão do acordo de três delatores da J&F - Joesley Batista, um dos donos do grupo, Ricardo Saud, diretor de relações institucionais, e o advogado Francisco de Assis. Eles são suspeitos de terem omitido informações, descobertas em áudio de quatro horas entregue à Procuradoria-Geral da República. Na gravação de conversa entre Joesley e Saud, eles citam a participação do ex-procurador da República Marcelo Miller, além de ministros do Supremo Tribunal Federal. Aparentemente, eles não sabiam que estavam sendo gravados.

"Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público", disse Janot no pronunciamento. O procurador-geral reforçou no anúncio que, mesmo com a rescisão do acordo, as provas seriam mantidas.

TERÇA-FEIRA, 5: FACHIN RETIRA SIGILO

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na terça-feira, 5, tornar pública a gravação do diálogo entre delatores da JBS. O áudio da conversa de quatro horas entre Joesley e Saud foi analisado pelo magistrado, que resolveu pelo fim do sigilo, sob a justificativa de que o interesse público deve prevalecer.

Na gravação, Joesley chegou a afirmar que não iria ser preso. "A realidade é: Nós não 'vai' ser preso. Vamos fazer tudo, mas nós não vai ser preso", disse o empresário na conversa.

TERÇA-FEIRA, 5: CÁRMEN REAGE

A presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, gravou um pronunciamento na terça-feira, 5, informando que exige que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) façam uma "investigação imediata" das menções feitas pelo empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud a integrantes da Corte. Segundo Cármen, a dignidade institucional do STF foi agredida de maneira inédita nesse episódio.

+++ Planalto usa CPI para atacar delações

QUINTA-FEIRA, 7: JOESLEY DEPÕE

Joesley prestou depoimento de cerca de três horas na quinta-feira, 7, na sede da Procuradoria-Geral da República. O empresário afirmou que não recebeu orientação do ex-procurador Marcelo Miller para gravar o presidente Michel Temer e disse que o polêmico áudio de quatro horas que provocou reviravolta no caso "é uma conversa de bêbados".

Além dele, Francisco de Assis e Ricardo Saud prestaram depoimento. No total, os executivos permaneceram quase dez horas no local.

SEXTA-FEIRA, 8: JANOT PEDE PRISÃO DE JOESLEY, SAUD E MILLER

Janot enviou na sexta-feira, 8, ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão do empresário Joesley Batista, de Ricardo Saud, diretor do J&F, e do ex-procurador Marcello Miller. Os pedidos foram motivados pelo conteúdo de uma gravação entregue pela própria defesa do Grupo J&F, na qual Saud e Joesley falam sobre a suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada.

SEXTA-FEIRA, 8: MILLER PRESTA DEPOIMENTO

O depoimento de Miller começou às 15h30 de sexta-feira, 8 e terminou por volta de 0h30 deste sábado, 9, na Procuradoria Regional da República da 2ª Região, no centro do Rio de Janeiro. Ele foi interrogado por um procurador regional da República designado pela equipe do procurador-geral da República.

Após o depoimento, seu advogado, André Perecmanis, afirmou que o pedido de prisão de seu cliente, apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “causa espécie e indignação”. Mas ressaltou que ainda não havia sido informado oficialmente sobre o pedido: “Soube pela imprensa”, disse, ao sair do prédio do Ministério Público Federal.

SÁBADO, 9: FACHIN DETERMINA PRISÃO DE JOESLEY E SAUD

Fachin determinou a prisão temporária pelo prazo de cinco dias de Joesley e Ricardo Saud. A decisão do magistrado, de sábado, só veio a público no domingo. O ministro também decidiu suspender, em caráter cautelar, os benefícios acordados entre a Procuradoria-Geral da República e esses dois delatores. Para Fachin, há “indícios suficientes” de que ambos violaram o acordo de colaboração premiada ao omitir a participação do ex-procurador Marcello Miller no processo de delação. Fachin afirmou ainda que há indícios de que as delações ocorreram de maneira “parcial e seletiva”.

O pedido de prisão temporária do ex-procurador Marcelo Miller, acusado de auxiliar Joesley e Saud na celebração do acordo com o Ministério Público Federal antes mesmo de se efetivamente desligar do cargo, foi negado pelo ministro.

DOMINGO, 10: JOESLEY E SAUD SE APRESENTAM À PF

Joesley e Saud se entregaram na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo no domingo, 10.

Ambos chegaram à PF em carros particulares. Saud foi o primeiro a chegar e, por volta de 14h, Joesley, que partiu da casa do seu pai, nos Jardins, se apresentou.

SEGUNDA-FEIRA, 11: BUSCAS EM CASAS E NA J&F

A Polícia Federal faz buscas nesta segunda-feira, 11, na casa de Miller na Lagoa, no Rio, na Operação Bocca della Verità. Além disso, agentes cumprem quatro mandados de busca em São Paulo - nas casas de Joesley, Saud e Francisco de Assis e na sede da J&F.

SEGUNDA-FEIRA, 11: DELATORES VÃO PARA BRASÍLIA

Os empresários Joesley Batista e Ricardo Saud serão transferidos nesta segunda-feira, 11, para Brasília. Os delatores da JBS passaram a noite na carceragem da Polícia Federal em São Paulo e serão levados para a capital por ordem do ministro Edson Fachin que suspendeu os benefícios da colaboração.

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