José Cruz/Agência Câmara
José Cruz/Agência Câmara

Deputados apresentam requerimento a Cunha questionando suspeita de contas na Suíça

'Todos querem esta resposta, é um dever do presidente da Casa se explicar ao plenário', diz Chico Alencar, do PSOL

Daniel Carvalho e Carla Araújo , O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 15h15

Brasília - Um grupo de parlamentares de PT, PSOL, PSB, PMDB e Rede apresentou nesta quinta-feira, 1º, um requerimento em que solicitam ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informações sobre investigações de contas bancárias na Suíça em nome do deputado e de familiares dele.

O requerimento também será apresentado à Procuradoria-Geral da República e, caso Cunha não se manifeste até a próxima semana, os parlamentares apresentarão ao Conselho de Ética da Câmara um requerimento para que o presidente apresente seus dados bancários e fiscais. Este requerimento, no entanto, teria que ser aprovado pelo colegiado, comandado por um aliado do peemedebista.

A estratégia do grupo anti-Cunha inclui questioná-lo em todas as sessões para desgastar a imagem do presidente da Câmara.

Com recortes de jornais e cartazes onde se lia "Cunha não nos representa" e "Não em nosso nome", novem deputados apresentaram o requerimento. Eles dizem representar um grupo de 15 parlamentares. "Todos querem esta resposta. É um dever do presidente da Casa se explicar ao plenário. O Ministério Público da Suíça, que desde abril investiga as contas que seriam de Eduardo Cunha e seus familiares, não é leviano de inventar história", disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), que, mais cedo, já havia questionado o presidente, na tribuna do plenário da Câmara, mas foi ignorado pelo peemedebista.

"Eduardo Cunha não tem situação privilegiada como intocável. É uma vergonha para o Parlamento brasileiro ter um presidente tão denunciado. Ele é octacampeão em denúncias", disse Alencar, listando todos que, de alguma maneira, envolveram Cunha no esquema de corrupção da Petrobrás.

"É inaceitável o presidente da Casa, diante de denúncias tão graves, ficar em silêncio. Exigimos uma resposta. Ele se diz alvo de perseguição do governo. O que falar sobre a investigação do Ministério Público da Suíça? Será perseguição do governo suíço?", questionou o ex-petista Alessandro Molon (RJ), agora filiado à Rede Sustentabilidade. "Não há condições de o presidente continuar ocupando a presidência. Ele usa o cargo e mancha a imagem da Câmara", afirmou.

"O silêncio do presidente da Casa não é sinal de sua inocência. O silêncio dele estabelece sinal de conivência com o que está colocado", disse o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT-MG).

Investigação. Na noite de quarta-feira, 30, Cunha se irritou com uma pergunta sobre a posse de contas na Suíça. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o peemedebista e seus familiares têm contas secretas naquele país. A Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra o Cunha, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobrás.

A transferência da investigação criminal foi feita por meio da autoridade central dos dois países (Ministério da Justiça). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a transferência feita pelo Ministério Público da Confederação Helvética.

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