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Deputado vai depor à Zelotes dentro de gabinete; Mantega é ouvido hoje e Miguel Jorge no dia 2

José Carlos Aleluia será ouvido como testemunha de um dos acusados de participar de esquema de 'compra de MP's

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Beatriz Bulla,
O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2016 | 13h31

Atualizada às 15h56

BRASÍLIA - O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) irá prestar esclarecimentos à Justiça de dentro de seu gabinete na Câmara. Ele será ouvido como testemunha de um dos acusados de participar de esquema de "compra" de medidas provisórias investigado pela Operação Zelotes. A decisão de autorizar a colheita do depoimento no gabinete do parlamentar foi tomada hoje pelo juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal em Brasília. O magistrado chegou a questionar se o gabinete possuía estrutura para receber todos os que têm acompanhado os depoimentos da Zelotes: uma série de advogados, réus presos, além do próprio juiz e do procurador Frederico Paiva.

Nesta quinta-feira, 28, quem presta depoimento à equipe da Zelotes na sede da Polícia Federal em São Paulo é o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Em novemrbo de 2015, o juiz responsável pela operação autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro com o objetivo de apurar se ele tem envolvimento no suposto favorecimento de empresas que obtiveram decisões favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que avalia débitos de grandes contribuintes com a Receita Federal.

Na manhã de hoje, foi reiterado que será no próximo dia 2 o depoimento do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge. Ele já prestou um depoimento à Polícia Federal e admitiu ter levado ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, um pedido do lobista Mauro Marcondes Machado, preso sob suspeita de intermediar a "compra" de medidas provisórias no governo federal. A solicitação se referia ao adiamento de uma norma ambiental que não interessava ao setor automotivo, que ele representava. 

Nesta manhã, foram colhidos depoimentos de quatro testemunhas no processo sobre "compra" de medidas provisórias, arrolados pela defesa de Fernando César Mesquita. Ele foi porta-voz da presidência da República no governo Sarney e já exerceu o cargo de secretário de comunicação do Senado. De acordo com as investigações, Fernando Mesquita trabalharia com o lobista Alexandre Paes dos Santos, o 'APS', um dos envolvidos na negociação das MPs e preso desde outubro.

Entre os ouvidos hoje estava o ex-ministro ad Advocacia-Geral da União (AGU) Álvaro Ribeiro Costa. As audiências foram breves, com poucas perguntas e breves explicações dos depoentes sobre a relação com Fernando César Mesquita.

Parte dos depoimentos marcados para a tarde desta quinta-feira foi adiada. Em alguns casos, as testemunhas serão ouvidas em outros Estados ou por meio de carta precatória. Apenas dois dos nove depoimentos agendados para a tarde estão confirmados até o momento.

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