Deputado tucano sugere indiciamento de Lula e Bumlai na CPI do BNDES

Alexandre Baldy apresentou voto alternativo ao relatório final do deputado José Rocha, relator da comissão, que não sugere indiciamento algum; manifestação é protesto da oposição e não teme feitos práticos

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 11h57

BRASÍLIA - O deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO) sugeriu, nesta quarta-feira, 24, o indiciamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do empresário José Carlos Bumlai na CPI do BNDES. Trata-se de um voto alternativo ao relatório final do deputado José Rocha (PR-BA), apresentado ontem e que não sugere indiciamento de ninguém ao final dos trabalhos da CPI. O voto em separado é uma manifestação de protesto da oposição, sem efeitos práticos.

Baldy, que é um dos sub-relatores da comissão, também sugeriu o indiciamento de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Lula, e do empresário Benedito de Oliveira, conhecido como "Bené". Segundo ele, "há indícios veementes de crimes de gestão temerária, crimes contra o sistema financeiro e improbidade administrativa".

"Aqui não há supostos indícios, há sim um inquérito criminal em curso, em sigilo, que esteve ao conhecimento de todos os colegas e que deixa a robusta conclusão de que o ex-presidente Lula atuou em favor da empresa Odebrecht", comentou o deputado tucano. O Ministério Público Federal de Brasília recolheu documentos de empresas de Lula, da Odebrecht e do BNDES.

Neste momento, os membros da comissão ainda precisam discutir e votar o relatório de Rocha, que adiantou nessa terça-feira, 23, que não deve acatar os pedidos de indiciamento, a menos que uma "decisão política" altere o cenário. "Não vi na participação do Luciano Coutinho, como presidente, nenhum motivo que eu pudesse pedir seu indiciamento. Todos os executivos vieram aqui e deram explicações", afirmou ontem.

Nesta quarta, após a fala de Baldy, Rocha afirmou que as posições apresentadas nos votos alternativas seriam respeitadas e compartilhadas no site oficial da Câmara para conhecimento público. Entre os pontos apresentados no relatório final, o presidente da CPI sugere que as metas para as operações do BNDES estejam à disposição dos órgãos de controle, que as normas internas do banco sejam públicas e que sejam adotados instrumentos de isolamento político para os diretores e suas decisões.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga possíveis irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2003 e 2015, relacionadas à concessão de empréstimos suspeitos e prejudicais ao interesse público. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.