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Dida Sampaio/Estadão

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Deputado tucano quer criar CPI da Bancoop

Líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio afirma que começará a recolher assinaturas na próxima semana; comissão deverá investigar o uso da cooperativa no esquema de corrupção na Petrobrás

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Daiene Cardoso,
O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2016 | 20h30

BRASÍLIA - Atual líder da bancada do PSDB na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (SP) informou nesta sexta-feira, 29, que pretende apresentar, no retorno do recesso parlamentar, requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o uso da Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop) no esquema de corrupção na Petrobrás investigado pela Operação Lava Jato. O recolhimento das 171 assinaturas necessárias à instalação da comissão começará na próxima semana.

"Há indícios muito fortes de que a Bancoop foi utilizada com uma das lavanderias de recursos drenados da Petrobras. E a Câmara, que já investigou o Mensalão e o Petrolão, tem o dever de contribuir com as apurações deste caso", defendeu o tucano. Sampaio afirma, por meio de nota, que as investigações em curso na Operação Lava Jato "levam a crer que o dinheiro da Bancoop era desviado para o PT". A reportagem entrou em contato com o partido para ecslarecer a declaração, mas não obteve resposta até o momento da publicação. 

"O fato de João Vaccari, que foi presidente da Bancoop e tesoureiro do PT, preso na Operação Lava Jato, e o ex-presidente Lula terem apartamentos em um desses prédios, também leva à conclusão de que ambos podem ter se beneficiado em detrimento de milhares de outros cooperados da Bancoop. Logo, uma investigação para se saber se esses apartamentos foram pagamento de propina, também deve ser feita pela Câmara", defende a nota do líder da bancada.

Repercussão. Também em nota, o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), ressaltou o avanço das investigações da Lava Jato sobre o apartamento tríplex sobre o qual a família do ex-presidente Lula teria poder de compra. Caiado acredita que há um elo direto entre o esquema de desvio de recursos da estatal petrolífera e o líder petista.

"O Petrolão não nasceu sem pai. Um esquema criminoso desse, altamente organizado, tinha um comando que vinha das maiores instâncias do Palácio do Planalto para manter um grupo no poder e o enriquecimento ilícito de agentes públicos. Esse triplex é o elo de Lula com o Petrolão", concluiu Caiado.

O senador sugere que Lula é "peça central" nas investigações. "Os investigadores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro querem encontrar os mandantes desse crime que lesou o País e já estão na porta do vizinho, literalmente. Com a ajuda do Ministério Público, agora vão bater na porta certa", ironizou.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), disse que o ex-presidente tem muito a explicar sobre as últimas denúncias. "Seu instituto recebeu milhões de empreiteiras por palestras, ele viajou o mundo de carona em jatinhos dessas empresas, seus filhos também foram beneficiados e ainda temos os 'presentes', as 'reformas' que, ao final das investigações, poderão ser caracterizadas como propina", afirmou Bueno em nota. 

Defesas. Vaccari nega ilícitos em sua gestão na cooperativa. Sobre o apartamento no Guarujá, a defesa do ex-tesoureito diz que Vaccari e sua mulher, Giselda, ‘compraram uma unidade residencial, pagaram direitinho todo mês, não há nada de irregular’.

O Instituto Lula afirma que o ex-presidente nunca escondeu que sua família comprou, a prestações, uma cota da Bancoop para ter um apartamento onde hoje é o Edifício Solaris. A entidade diz, em nota, que a compra da cota foi declarada ao Fisco e é pública desde 2006.  Lula também se manifestou sobre o assunto. Segundo ele, "adquirir cotas de uma cooperativa habitacional a prestações não significa tornar-se proprietário de um imóvel." 

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