Deputado reitera não ter intenção de deixar cargo

Eduardo Cunha afirma que vai resistir à pressão da oposição e acusa o procurador-geral de ‘vazamentos absurdos’

RICARDO BRITO e DANIEL CARVALHO, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2015 | 23h31

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem não ter a intenção de se afastar nem de renunciar ao cargo. A manifestação ocorreu menos de uma hora após lideranças de partidos da oposição pedirem a saída dele do comando da Casa. Cunha acusou ainda o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de promover “vazamentos absurdos” para tentar constrangê-lo politicamente.

Em nota, o peemedebista disse que foi “eleito pela maioria absoluta dos deputados” para cumprir um mandato de dois anos e que não iria deixar o cargo antes da conclusão.

O texto é recheado de críticas a Janot, a quem chamou de “acusador do governo geral da República”. “Até o presente momento, o procurador-geral da República divulgou dados que, em tese, deveriam estar protegidos por sigilo, sem dar ao presidente da Câmara o direito de ampla defesa e ao contraditório que a nossa Constituição assegura”, disse.

Cunha informou ainda que, na terça-feira, seus advogados vão ingressar no Supremo Tribunal Federal com um pedido para ter acesso imediato aos documentos que existam no Ministério Público Federal a fim de dar as respostas aos fatos “que por ventura existam”.

O Ministério Público da Suíça enviou à Procuradoria-Geral da República uma série de documentos, segundo os quais dinheiro de contas secretas atribuídas a Cunha, e sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, foi fruto de propina em contratos da Petrobrás.

Na nota, o peemedebista reafirma ter falado a verdade em depoimento que prestou à CPI da Petrobrás, quando afirmou não possuir contas bancárias na Suíça. Negou ainda ter recebido vantagens ilícitas.

Com o pedido de afastamento feito pela oposição ontem, Cunha tem no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff uma “tábua de salvação” para negociar com os partidos e tentar reverter a perda de apoios. Cabe a ele avaliar se aceita pedidos de abertura de processos visando à cassação da presidente e qual é o seu ritmo.

Nos últimos dias, diante do seu enfraquecimento político, ele havia dado sinais de que não vai ceder à pressão da oposição para instaurar todo processo de impedimento até o fim do mês e poderá arrastar o assunto.

Para um peemedebista aliado de Cunha, ele ainda tem uma rede de apoio, especialmente de bancadas suprapartidárias da bala, do agronegócio e evangélica. Outro ponto que ainda lhe garantiria força seria o fato de ele ser um “arquivo vivo que sabe de tudo”, com conhecimento do histórico de vários pares e com “enorme capacidade de constranger”.

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