Deputado quer marqueteiro para Câmara mostrar ´lado bom´

O deputado Alceni Guerra (DEM-PR) propôs nesta segunda-feira, 23, à Mesa Diretora da Câmara que crie uma secretaria de marketing para mostrar à população o que o Congresso faz de bom, com a mesma competência que a imprensa divulga as mazelas do poder. Diante do levantamento feito pelo Estado, mostrando que os deputados consumiram um milhão de litros de gasolina nos últimos dois meses, quantia suficiente para dar 255 voltas ao redor da Terra, Alceni cobrou da Mesa que se organize "de forma pró ativa" para dar conhecimento público do "lado bom do Congresso", que a seu ver é "oculto e ignorado pela população". "A imprensa tem o direito e o dever de fiscalizar o Legislativo e, provavelmente, a manchete do Estado está absolutamente correta", admitiu Alceni, recusando-se a "acusar o acusador". O problema, segundo ele, é que "centenas de coisas boas estão acontecendo no Congresso" e a população não fica sabendo. "As pesquisas de opinião mostram que só 1,1% da população tem conceito positivo do Congresso e a culpa é da Casa, que acaba não divulgando o que se faz", avaliou. Ele sugeriu que a Câmara contrate um marqueteiro para "traduzir em linguagem moderna e popular" os feitos dos deputados e defendeu o nome do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que já presidiu a Casa, para a nova secretaria de marketing. "O Congresso precisa tomar uma providência urgente para melhorar sua imagem, senão amanhã o povo vai querer fechá-lo", concordou o deputado Humberto Souto (PPS-MG), ao manifestar apoio à idéia da secretaria de marketing. Justificativa Relator da CPI dos Correios, o primeiro secretário da Câmara, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que todos os gastos com gasolina dos deputados pagos com a verba indenizatória estão no limite permitido de R$ 4.500 por mês. Na reportagem publicada no último domingo pelo Estado, só nos dois primeiros meses de mandato, os deputados gastaram R$ 2,5 milhões com gasolina pagos com parte dos R$ 15 mil mensais que cada parlamentar tem para bancar despesas em seus Estados mediante apresentação de notas fiscais ou recibos. "Ninguém ultrapassou o teto de R$ 4.500. Eventualmente há pedidos de reembolso, mas isso é analisado mês a mês", disse Serraglio. O primeiro secretário disse que em Estados onde o transporte depende de barcos e aviões, como Amazônia, os deputados têm uma necessidade maior de gastar com gasolina. "Para alguns Estados, esse limite (de R$ 4.500) é ínfimo", afirmou. Serraglio disse que há pedidos para aumentar a verba indenizatória, mas que isso não está em análise pela Mesa Diretora. "Não é hora de elevação", afirmou. Para o deputado, a verba indenizatória existe para parlamentares em diversos países, mas no Brasil há um viés de que seu uso é errado. "Há um clima de que o pagamento de despesa é uma benesse que se dá ao parlamentar. Aqui é um crime total. Na França, nos Estados Unidos e em outros países, todos têm verba indenizatória e não é escândalo", completou.

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 21h41

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