Denúncia de envolvidos na Xeque-Mate é adiada para terça

Entre os que devem ser denunciados, estão o irmão e cumpadre do presidente Lula

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h51

O Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul decidiu adiar para terça-feira, 19, a denúncia criminal contra os 27 acusados de integrarem a máfia dos caça-níqueis que explorava o jogo de azar em quatro Estados (MS, SP, PR e RO), entre eles o irmão mais velho de Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e o compadre do presidente, Dario Morelli Filho. Inicialmente, a denúncia seria feito nesta segunda, mas a assessoria do ministério informou que os procuradores receberam o inquérito da Polícia Federal na quinta-feira, que indiciou 101 pessoas nas investigações, e o prazo de cinco dias para apresentar ou não denúncia começou a correr na sexta-feira. A denúncia deverá ser feita no período da tarde, segundo informações da assessoria do Ministério. Vavá, que será denunciado por tráfico de influência e exploração de prestígio, pode ter seu processo desmembrado e remetido à Justiça de São Paulo. O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Xeque-Mate aponta que Vavá tentava "vender facilidades" dentro do governo, usando o nome de Lula, em troca de dinheiro. Mas a PF ressalta que o nome de Lula era usado à sua revelia. Morelli deve ser denunciado por formação de quadrilha, exploração do jogo de azar, contrabando, falsidade ideológica e sonegação fiscal. O compadre do presidente é listado como sócio do chefe da máfia dos caça-níqueis, Nilton Servo, na exploração de máquinas caça-níqueis em Ilhabela (SP). Os grampos mostram que eles planejavam expandir os negócios para São Sebastião (SP) e Manaus (AM). "Dario Morelli Filho gerencia pessoalmente a sala de jogos Deck Vídeo Bingo, ficando claro nos áudios que ele e Servo também possuem máquinas instaladas em outros estabelecimentos comerciais daquela cidade (Ilhabela)", afirma o relatório feito pela PF. Morelli é acusado também de "fazer o pagamento de propinas aos policiais corruptos que, em contrapartida, não reprimem a atividade ilícita de exploração do jogo de azar". Segundo a PF, "um dos policiais civis que recebia propina de Morelli é o investigador conhecido apenas pela alcunha de Beto, lotado na delegacia de Ilhabela". Detido com outras 80 pessoas no dia 4, quando a operação foi deflagrada, o compadre de Lula não teve o pedido de prisão preventiva renovado e foi solto na semana passada. (Colaborou Ricardo Brandt)

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