DEM pode decidir nesta quarta antecipar saída de Maia

Presidente do partido mantém guerra com Kassab desde que alteração de ata de convenção tirou do prefeito poder de conduzir sucessão presidencial

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo ,

07 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - A Executiva Nacional do DEM reúne-se nesta quarta-feira, 8, para discutir a sucessão antecipada do atual presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), em meio a uma guerra de bastidor pelo comando partidário entre o grupo de fundadores e a nova geração de dirigentes. No centro dessa disputa estão Maia e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que vivem às turras desde que a ata da convenção na qual o PFL foi rebatizado de DEM sofreu alteração.

 

A modificação do texto suprimiu o poder de Kassab de conduzir os interesses do partido na sucessão presidencial, na condição de presidente do Conselho Político do partido. Por conta disso, o prefeito e o deputado já bateram boca e, quando Kassab decidiu cobrar a alteração do texto de Maia, há cerca de um mês, por pouco os dois não trocaram socos. Para ficar no DEM ao menos até o fim de seu mandato na prefeitura, Kassab quer ver Maia fora da presidência o quanto antes.

 

O novo estatuto do partido, aprovado em convenção por orientação do então presidente da legenda Jorge Bornhausen, conferia ao presidente do Conselho Político a tarefa de negociar os interesses do partido na disputa ao Palácio do Planalto. Para garantir uma sucessão sem traumas, dividindo poder, Maia ficou com a presidência do DEM e Kassab à frente do conselho. Na versão do estatuto registrada em ata, porém, cabe ao presidente do partido, e não do conselho, conduzir o processo sucessório.

 

Solução

 

Em busca de uma saída para evitar a implosão do DEM, Bornhausen procurou o senador José Agripino (DEM-RN) na segunda-feira, com o apelo para que ele aceite suceder a Rodrigo Maia na presidência do partido. O mandato do deputado fluminense foi prorrogado até novembro do ano que vem, mas boa parte da Executiva Nacional do partido já entendeu que é preciso ajustar o calendário da legenda ao das eleições municipais e fazer a sucessão em maio.

 

A ideia é trocar o comando nacional do partido antes do fim do prazo para a filiação partidária dos candidatos, que se encerra um ano antes das eleições municipais de 2012. A proposta do grupo de Bornhausen é renovar os diretórios municipais em março, os estaduais em abril e o nacional em maio.

 

Os aliados de Maia acusam o grupo de Bornhausen de manobrar para encurtar seu mandato e argumentam que estão dando ao atual presidente do partido uma prorrogação de cinco meses para manter o calendário tradicional das convenções. Em abril, Rodrigo Maia completa quatro anos à frente do DEM e a prorrogação vigente pode esticar sua permanência até o fim de 2011.

 

Aécio

 

Nesta terça, o ex-governador de Minas e senador eleito Aécio Neves (PSDB) desembarcou em Brasília no papel de árbitro da disputa. De acordo com Aécio, o "DEM fortalecido e bem articulado com o PSDB é fundamental para a construção de um projeto de poder alternativo". O ex-governador é aliado, especialmente, de Maia - que o apoiou e defendeu sua escolha, e não a do tucano José Serra, como candidato da oposição para enfrentar a petista Dilma Rousseff na disputa presidencial. "Os embates para valer vamos ter contra nossos adversários", emendou o tucano.

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