Gil Leonardi/Divulgação
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DEM admite acerto com PSDB em Minas se Aécio não tentar reeleição

Tucanos cogitam que Anastasia seja candidato ao governo; deputado Rodrigo Pacheco teria de desistir da disputa

Julia Lindner e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 05h00
Atualizado 22 Março 2018 | 15h36

BRASÍLIA - Integrantes do DEM, partido do presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência, Rodrigo Maia (RJ), passaram a admitir uma aliança com o PSDB em Minas após o senador Antonio Anastasia iniciar as tratativas para uma eventual candidatura ao governo do Estado.

O deputado Rodrigo Pacheco (DEM) teria de desistir da disputa para tentar o Senado. A articulação só foi possível com a sinalização de desistência do senador tucano Aécio Neves à reeleição, que permitiu a negociação da chapa majoritária. 

A decisão de Anastasia, estimulada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), pegou Maia de surpresa. O presidente da Câmara participou nesta semana do evento de filiação de Pacheco ao DEM, que cogita ser candidato ao governo do Estado. Segundo maior colégio eleitoral do País, Minas é estratégica para a corrida presidencial.

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Nesta quarta-feira, 21, após reunião da Executiva Nacional, o presidente do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, afirmou que “mais para frente” será possível avaliar quem tem, de fato, “estrutura e apelo popular para seguir adiante” na disputa pelo governo de Minas. “O PSDB tem direito a ter candidato próprio, assim como no plano nacional o PSDB tem um candidato a presidente e nós temos outro”, disse.

Segundo ACM Neto, a sigla está “trabalhando” por Pacheco e conversando com outros partidos que podem apoiá-lo. “Ele vai ter toda a força do partido para ser candidato a governador. Estamos confiantes na candidatura e acredito que será uma bela surpresa na eleição.”

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Ao Estadão/Broadcast, Pacheco não descartou a possibilidade de desistir do governo do Estado para tentar uma vaga no Senado. “Existem várias possibilidades, inclusive do senador Anastasia rever sua posição e me apoiar. Possibilidades existem para todos os lados”, declarou. Ele e Anastasia devem conversar nos próximos dias. 

Resistência. Embora integrantes da sigla admitam articulação com o PSDB, Maia continua resistente. Segundo ele, membros do DEM que defendem a candidatura de Anastasia ainda não viram as pesquisas de intenção de voto no Estado. “A situação de rejeição ao PSDB em Minas é terminal”, afirmou. “Não há articulação, e sim a vontade do PSDB. O DEM terá candidato.”

A disputa deve passar ainda pela escolha do comando do DEM em Minas. Para que Pacheco se filiasse ao partido, Maia prometeu que ele seria o presidente da legenda no Estado. Nesta quarta-feira, porém, o atual presidente, deputado Carlos Melles, se opôs à ideia e a decisão teve que ser adiada.

Um dia antes, Melles se encontrou com o presidente do PSDB de Minas, deputado Domingos Sávio, aliado de Aécio. Sávio disse que os tucanos “alimentam a esperança” de formar uma chapa com Anastasia e Pacheco.

Maia tem sido cobrado pelo partido para conquistar bases fortes de apoio. No Rio de Janeiro, por exemplo, o democrata enfrenta resistência do próprio pai, o vereador Cesar Maia, que é pré-candidato ao governo e não esconde a preferência por uma candidatura do filho à reeleição na Câmara, com a condição de que continuará na presidência da Casa por mais dois anos.

Ele também depende da definição de ACM Neto, que ainda não sabe se disputará a eleição para o governo da Bahia. O atual prefeito de Salvador já informou a aliados que só sairá candidato se tiver o apoio do PP e do PR para garantir mais tempo de rádio e televisão, caso contrário avalia que ficaria em desvantagem em relação ao atual governador Rui Costa (PT).

 

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