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Delegados da PF recuam e dizem que nunca tiveram interesse de promover embate público

Após criticar 'desmonte' da corporação e se desentender com o ministro da Justiça devido a redução do orçamento, entidade afirma intenção de discutir e construir soluções para seu fortalecimento

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Igor Gadelha e Beatriz Bulla,
O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2016 | 19h05

BRASÍLIA - Após embate público com o Ministério da Justiça nos últimos dias por meio de notas, cartas e manifestos, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nova nota nesta sexta-feira, 8, em tom mais ameno nos protestos por corte de verbas. No novo documento, a entidade afirma que nunca teve o interesse de promover o embate público com nenhuma autoridade, mas reafirmou a intenção de discutir e construir "soluções que permitam o constante fortalecimento da Polícia Federal".

"A reivindicação, endereçada prioritariamente ao Ministério da Justiça, teve a intenção de conclamar a defesa institucional da PF, devido ao fato de que a Polícia Federal se encontra vinculada administrativamente àquela pasta ministerial", afirma a nova nota. "O documento nunca teve o interesse de promover o embate público com nenhuma autoridade. Intenta-se, ao contrário, discutir a garantia dos recursos mínimos para a continuidade da atividade estatal de combate à corrupção", acrescenta.

Nos últimos dias, a ADPF vem lançando documentos com críticas ao que chamam de "desmonte" da Polícia Federal, após redução do orçamento da instituição em 2016. Os delegados chegaram a enviar carta ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que se irritou com as iniciativas da entidade. Para o ministro, a associação estava fazendo uma política "epistolar", tentando criar polêmica "onde não existe". Cardozo nega que haja qualquer "desmonte" da PF.

Estudo. Na nota lançada nesta sexta-feira, a ADPF informa ainda que encomendou um estudo "técnico e científico" a uma fundação "reconhecida nacionalmente", cujo nome não foi divulgado, para apresentar um relatório detalhado do orçamento destinado à Polícia Federal nos últimos anos. O estudo, de acordo com a associação dos delegados, fará uma comparação do orçamento da PF com o das demais instituições públicas da área da segurança e justiça.

A ADPF afirma que o objetivo do estudo encomendado é "discutir com o governo no âmbito de dados concretos". "Com base nos dados e levantamentos realizados, os delegados federais chamarão o governo e a sociedade para a discussão e construção das soluções que permitam o constante fortalecimento da Polícia Federal", afirma a nota.

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