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Delcídio afirma que vai evitar o ‘revanchismo’

- Atualizado: 22 Fevereiro 2016 | 03h 15

Senador, que passou mais de dois meses preso, retoma nesta semana sua atuação parlamentar e promete ‘reescrever’ história sem fazer delação

Em prisão domiciliar, Delcídio retorna ao Senado
Em prisão domiciliar, Delcídio retorna ao Senado

BRASÍLIA - O senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse a interlocutores, no fim de semana, que não fará acordo de delação premiada com o Ministério Público. Solto na sexta-feira por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, que revogou sua prisão preventiva, Delcídio destacou que só pretende se defender na Justiça e no Conselho de Ética do Senado.

“Vou reescrever minha história sem revanchismo”, afirmou o senador a amigos. Delcídio era líder do governo até o dia 25 de novembro, quando foi preso sob acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. “Quero virar essa página”, insistiu ele.

Nem mesmo a expulsão do PT, tida como certa, e as restrições impostas por Teori – como a obrigatoriedade de ficar em prisão domiciliar à noite e nos dias de folga – desanimam Delcídio. O que ele quer é manter o mandato e fará de tudo para isso. Como senador, Delcídio tem foro privilegiado e seu processo penal tramita no Supremo. Se perder o foro, o caso será transferido para a Justiça Federal do Paraná, onde está o juiz Sérgio Moro, que responde pelas ações da Lava Jato.

“Tudo o que o senador deseja é se concentrar na sua defesa”, comentou o advogado Maurício Silva Leite. “Ele não fez acordo de delação e isso nem teria cabimento porque tal instituto é incompatível com a atividade parlamentar e com a defesa no Conselho de Ética. Esta hipótese é absurda”, reforçou o advogado Luís Henrique Machado, que também o defende.

Renúncia. O PT vai pressionar Delcídio a renunciar à presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sob o argumento de que ele deve se concentrar na salvação de seu mandato e no processo penal que enfrenta. Na prática, porém, o partido e o Palácio do Planalto não desejam no comando de uma das principais comissões do Senado um político sob julgamento, denunciado pela Procuradoria-Geral da República.

Mais da metade da bancada do PT subscreveu na semana passada um pedido de substituição de Delcídio por Gleisi Hoffmann (PR) na presidência da CAE. Entretanto, os petistas agem com cautela porque temem que, apesar das negativas, ele ainda possa fazer delação premiada e piorar ainda mais a crise do partido e do governo.

Em família. Delcídio passou o fim de semana com a mulher, Maika, duas de suas três filhas e a mãe, Rosely, em Brasília. “O que eu mais quero é ficar quieto, com minha família”, disse.

Abatido, rabiscou algumas linhas do pronunciamento que pretende fazer amanhã na tribuna do Senado, no qual dirá que foi vítima de uma gravação feita “sorrateiramente” por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. Esta também foi a linha da defesa apresentada ao Conselho de Ética, onde PPS e Rede pedem a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar.

Para o senador, Bernardo só gravou o diálogo porque viu ali a chance de conseguir um acordo de delação premiada para o pai. Na manifestação enviada ao Conselho de Ética, Delcídio disse que menções feitas sobre sua influência política no Supremo não passaram de bravata.

A defesa de Delcídio estuda ainda entrar com novo recurso ao Supremo pedindo explicações sobre “detalhes” da decisão de Teori, como a proibição imposta ao senador de conversar com outros investigados e a obrigatoriedade de recolhimento noturno. Na avaliação de advogados, a decisão pode prejudicar atos inerentes ao mandato, uma vez que o Senado abriga outros 13 parlamentares investigados na Lava Jato, entre os quais o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e há votações até tarde da noite.

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