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Delator repetiu esquema de Dirceu para abrir offshores

Barusco usou escritório no Panamá que criou filial de consultoria de ex-ministro para constituir empresas envolvidas na Lava Jato

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2015 | 05h00

Brasília - Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobrás, utilizou o mesmo procedimento do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão, para abrir em 2008 duas offshores no Panamá que movimentaram US$ 21,4 milhões do esquema de corrupção na estatal. A Pexo Corporation e a Rhea Comercial Inc. foram criadas a pedido de Barusco pelo escritório de advocacia Morgan y Morgan, que constituiu no mesmo ano uma filial da consultoria do ex-ministro no Panamá. 

Uma offshore instituída pelo Morgan y Morgan também constava como sócia majoritária do hotel Saint Peter, que ofereceu no fim de 2013 emprego a José Dirceu na sua primeira tentativa de migrar para o regime semiaberto. No hotel, o ex-ministro trabalharia como gerente, com salário de R$ 20 mil. 

Dirceu desistiu do emprego após o Jornal Nacional, da TV Globo, revelar que o presidente da offshore era Jose Eugenio Silva Ritter, um laranja do escritório que morava na periferia do Panamá e tinha centenas de empresas abertas em seu nome. 

Os documentos aos quais o Estado teve acesso mostram que Ritter consta como signatário da constituição das duas offshores que Barusco confessou serem suas em delação premiada. Dianeth Isabel Matos de Ospino, que aparece na constituição das offshores de Barusco, também ajudou a criar a offshore do hotel Saint Peter. 

Na delação premiada, Barusco contou aos investigadores que a Rhea Comercial acumulou de 2008 a março de 2014, US$ 14,2 milhões. 

Conforme documentos do registro oficial do Panamá, a empresa continua ativa. Já a Pexo Corporation foi fechada em abril de 2014. Enquanto permaneceu em funcionamento, Barusco contou aos investigadores que abriu uma conta no Banco Safra, com US$ 7,2 milhões em nome dessa offshore. Em valores atualizados, pelo dólar de ontem, as duas empresas de Barusco movimentaram R$ 60,1 milhões no período de seis anos. 

JD. A sucursal da empresa de Dirceu no Panamá existiu para os órgãos públicos brasileiros por ao menos um ano. Em abril de 2009, numa alteração contratual, o ex-ministro decidiu “tornar sem efeito” a abertura da filial no Panamá. O ex-ministro já negou, contudo, que a JD Assessoria e Consultoria tenha operado naquele país; sua constituição teria sido apenas no papel. 

Nos depoimentos de delação premiada, Barusco não citou a coincidência de abertura de suas offshores pelo mesmo escritório usado por José Dirceu. 

O ex-gerente acusou o PT de ter recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões de propina referente a 90 contratos da Petrobrás fechados com grandes empresas entre 2003 e 2013, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Dirceu foi ministro da Casa Civil de 2003 a 2005. 

O nome do ex-ministro foi mencionado por outro delator do esquema, o doleiro Alberto Youssef, que o acusou em depoimento de ser o intermediário do PT no recebimento de propina de empresas do esquema da Lava Jato. 

Barusco era gerente na Diretoria de Serviços da Petrobrás, na época ocupada por Renato Duque – acusado na Lava Jato e cuja indicação para o cargo é atribuída a Dirceu – o que o ex-ministro nega. Procurada pelo Estado ontem, a assessoria de Dirceu não havia respondido ao pedido de posicionamento até a conclusão desta edição. O ex-ministro já afirmou que “repudia, com veemência, as declarações do doleiro Alberto Youssef de que teria recebido recursos ilícitos do empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, ou de qualquer outra empresa investigada pela Operação Lava Jato”.

A advogada Beatriz Catta Preta, que representa Pedro Barusco, não foi localizada ontem pela reportagem. 

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