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Defensoria considera 'desnecessárias' prisões de índios em Humaitá

Chico Siqueira - especial para o Estado

11 Fevereiro 2014 | 17h 33

Em nota, defensores públicos afirmam que a detenção dos cinco indígenas da etnia Tenharim, suspeitos do assassinato de três homens, 'é mais danosa que benéfica à sociedade'

Araçatuba - A Defensoria Pública da União no Amazonas (DPU/AM) divulgou nota nesta terça-feira, 11, na qual afirma que é "desnecessária" e "danosa à sociedade" a prisão dos cinco índios presos pela Polícia Federal (PF), acusados da morte de três homens na Terra Indígena Tenharim, em Humaitá (AM), no sul do Amazonas.

Os defensores públicos federais Caio Paiva e Edílson Santana, afirmam que estão adotando "medidas cabíveis" para pedir a liberdade dos tenharins, presos desde 30 de janeiro em Porto Velho (RO).

"A Defensoria entende que a prisão, no atual momento processual, é desnecessária e mais danosa do que benéfica à sociedade e aos assistidos", diz a nota. "Dessa forma, um pedido será encaminhado ao juiz responsável assim que contar com os elementos imprescindíveis à demonstração de sua desnecessidade", completa os defensores.

O professor Stef Pinheiro, de 43 anos, o técnico Aldeney Ribeiro Salvador, de 40, e o representante comercial Luciano Ferreira Freire, de 30, desapareceram em 16 de dezembro na rodovia Transamazônica (BR-230), dentro do domínio da reserva. Os corpos só foram encontrados, numa vala, na segunda-feira, 3, e enterrados, sob clima de protesto, na sexta-feira, 7.

A suspeita é de que os índios mataram os três homens em vingança pela morte do cacique Ivan Tenharim, após um acidente de motocicleta, em 3 de dezembro. Um diretor da Funai, que levantou a hipótese de que o cacique teria sido assassinado, foi exonerado posteriormente. Mas antes, em resposta ao desaparecimento, manifestantes incendiaram carros, barcos e as sedes da Funai e da Casa de Saúde do Índio, em Humaitá, em 25 de dezembro. Dois dias depois, vândalos destruiriam postos de pedágios dos índios na BR-230.