Geraldo Guimarães/Estadão
Geraldo Guimarães/Estadão

De pragmático e amigo de Lula a radical anti-PT

O senador Aécio Neves, de 57 anos, foi derrotado nas urnas pela presidente Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial de 2014, mas saiu da disputa maior do que entrou. O “legado” dos 51 milhões de votos recebidos (48,36% dos votos válidos) fez do mineiro o principal líder da oposição. 

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 01h02

Para os tucanos, era uma questão de tempo para que o neto de Tancredo Neves chegasse ao Palácio do Planalto. O governo federal seria o ponto máximo de uma carreira marcada pelo pragmatismo político e habilidade nas articulações de bastidor. 

Em 1987, aos 27 anos, conquistou o primeiro mandato de deputado federal graças ao clamor popular da morte do avô. Após presidir a Câmara dos Deputados em 2001, cargo que conquistou sem o apoio do então presidente Fernando Henrique Cardoso, e ser eleito governador de Minas Gerais em uma campanha onde se manteve próximo ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio foi reeleito e concluiu o segundo mandato no Estado com os olhos voltados para o cenário nacional.

Como não conseguiu se viabilizar em 2010, foi para o Senado e construiu lá o caminho para 2014. Boa parte de seu mandato foi dedicada a se consolidar internamente e desbancar os adversários José Serra e Geraldo Alckmin. 

Em junho de 2013, eleito presidente nacional do partido, Aécio já estava viajando o Brasil em ritmo de campanha. Em pouco tempo tornou-se uma unanimidade no partido e montou uma estrutura profissional nunca antes vista na história tucana.

Com a morte de Eduardo Campos e a escolha de Marina Silva como candidata do PSB, a campanha de Aécio virou coadjuvante. Poupado pelos marqueteiros de Dilma, que focaram a estratégia em implodir Marina, Aécio chegou ao segundo turno. 

Na oposição, adotou o figurino incendiário e atuou no processo de impeachment da adversária. Com a queda da petista, patrocinou politicamente o embarque do PSDB na gestão Michel Temer. Até ser citado na Lava Jato, pretendia ser o candidato da coalizão governista em 2018.

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