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Cúpula do PMDB se reunirá com PT para definir alianças

RICARDO BRITO - Agência Estado

10 Março 2014 | 16h 59

Num movimento para tentar distensionar a crise com o governo, o presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou nesta segunda-feira, 10, que integrantes da cúpula do partido vão conversar na próxima quinta-feira com o presidente do PT, Rui Falcão, sobre as alianças nos Estados. Segundo Raupp, a decisão de fazer o encontro foi tomada esta manhã, em conversa que ele teve com a presidente Dilma Rousseff.

Devem participar do futuro encontro, possivelmente em Brasília, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e outros integrantes das bancadas dos dois partidos.

O peemedebista disse que há uma possibilidade de o PT abrir mão de lançar candidatos em até seis Estados para apoiar nomes do PMDB. "Por aí a gente vai avançar e vai ''distensionando'' essa crise que é normal dentro da vida pública, na política", afirmou, ao admitir que um dos principais motivos da "tensão" com os petistas são as alianças regionais.

Contudo, o presidente do PMDB não disse se o acerto da aliança de peemedebistas e petistas nos Estados envolveria Rio de Janeiro e Ceará, Estados onde as divergências entre os dois partidos são maiores. No Rio, o PT quer emplacar o nome do senador Lindbergh Farias, mas o PMDB aposta no atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, para concorrer ao governo do Estado. No Ceará, por sua vez, os peemedebistas lançarão o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), enquanto petistas querem apoiar um nome do grupo do atual governador Cid Gomes, do PROS.

Segundo Raupp, a presidente se mostrou esta manhã "aberta" às conversações quanto às alianças regionais. O presidente do PMDB frisou que, em nome da aliança nacional - o partido detém a vice com Michel Temer -, o parceiro preferencial do partido nos Estados é o PT.

"As conversas estão abertas, não podemos dinamitar as pontes. As pontes têm que sempre estar intactas para continuar avançando", afirmou. Para Raupp, em relação à tensão da bancada da Câmara, em que alguns integrantes pregam o rompimento da aliança com Dilma, o momento é de "deixar a poeira assentar, dar um tempo". Ele também disse que não crê que a crise com a Câmara chegue à bancada do Senado.

Reforma ministerial -

O presidente do PMDB negou que o partido esteja fazendo uma "crise artificial" com o governo para acelerar a reforma ministerial. Segundo ele, a reforma tem "um tempo" e os ministros que são candidatos em outubro têm até 3 de abril para deixarem os cargos.

"O PMDB, como partido, não fica pleiteando (ministérios). A indicação de ministérios é de competência exclusiva da presidente da República", frisou. Raupp disse que o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), um dos cotados para ganhar uma pasta na Esplanada dos Ministérios, só assumiria um ministério se fosse para ser uma "solução". "(Vital) não seria ministro para desagregar", destacou.