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Cúpula do PMDB conversará com PT sobre alianças em seis Estados

Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

10 Março 2014 | 16h 35

Para tentar encerrar crise entre as legendas, presidentes partidários se encontrarão na quinta-feira a pedido de Dilma

Brasília - Num movimento para tentar reduzir a crise com o governo, o presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou nesta segunda-feira, 10, que integrantes da cúpula do partido vão conversar na próxima quinta-feira com o presidente do PT, Rui Falcão, sobre as alianças nos Estados. Segundo Raupp, há uma possibilidade de o PT abrir mão de lançar candidatos em até seis Estados para apoiar nomes do PMDB.

Devem participar do encontro, possivelmente em Brasília, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e outros integrantes das bancadas dos dois partidos. "Por aí a gente vai avançar e vai 'distensionando' essa crise que é normal dentro da vida pública, na política", afirmou, ao admitir que um dos principais motivos da "tensão" com os petistas são as alianças regionais. Segundo Raupp, a decisão de fazer o encontro foi tomada nesta manhã, em conversa que ele teve com a presidente Dilma Rousseff.

Como revelou o Estado nesta segunda, setores da cúpula petista manobram para desestimular candidaturas próprias em ao menos cinco Estados - Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins -em favor de partidos aliados. A ideia é fortalecer a coligação em torno da candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, especialmente com o PMDB.

Segundo Raupp, a presidente se mostrou nesta manhã "aberta" às conversações quanto às alianças regionais. O presidente do PMDB frisou que, em nome da aliança nacional - o partido detém a vice com Michel Temer -, o parceiro preferencial do partido nos Estados é o PT.

"As conversas estão abertas, não podemos dinamitar as pontes. As pontes têm que sempre estar intactas para continuar avançando", afirmou. Para Raupp, em relação à tensão da bancada da Câmara, em que alguns integrantes pregam o rompimento da aliança com Dilma, o momento é de "deixar a poeira assentar, dar um tempo". Ele também disse que não crê que a crise com a Câmara chegue à bancada do Senado.

Reforma ministerial. O presidente do PMDB negou que o partido esteja fazendo uma "crise artificial" com o governo para acelerar a reforma ministerial. Segundo ele, a reforma tem "um tempo" e os ministros que são candidatos em outubro têm até 3 de abril para deixarem os cargos.

"O PMDB, como partido, não fica pleiteando (ministérios). A indicação de ministérios é de competência exclusiva da presidente da República", frisou. Raupp disse que o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), um dos cotados para ganhar uma pasta na Esplanada dos Ministérios, só assumiria um ministério se fosse para ser uma 'solução'. "(Vital) não seria ministro para desagregar", destacou.