André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Cunha promete análise 'com toda isenção' de novo pedido de impeachment

Presidente da Câmara recebe documento de líderes oposicionistas, que apontam repetição neste ano de pedaladas reprovadas em 2014

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 11h47

Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prometeu nesta quarta-feira, 21, analisar com “toda isenção” o novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff protocolado hoje por líderes da oposição. “Vamos processar dentro da normalidade e legalidade”, afirmou o peemedebista, em breve discurso em seu gabinete ao lado de mais de dez integrantes de DEM, PSDB, PPS e SD, após receber a petição.

A petição e as justificativas chegaram à Câmara em três grandes pastas azuis, carregadas pelos parlamentares oposicionistas em um carrinho de ferro. Elas foram levadas à sala de reuniões do gabinete da presidência da Câmara, onde foram colocadas na mesa com uma bandeira do Brasil assinada por deputados da oposição e outros apoiadores do impeachment. O pedido foi elaborado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior e pela advogada Janaina Paschoal e conta com apoio de 45 movimentos da sociedade civil.

Em rápido discurso no local, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirmou que esse não era um movimento da oposição, mas uma "causa da população". Segundo o tucano, o PT “se notabilizou” por ter dois dos seus ex-presidentes presos (José Genoíno e José Dirceu), bem como um tesoureiro - tanto Delúbio Soares quanto João Vaccari Neto foram detidos, respectivamente por condenações no mensalão e no esquema investigado pela Operação Lava Jato. “É um partido com a marca da corrupção, e o governo da presidente Dilma também tem a marca da corrupção e da mentira”, disse Sampaio.

Representando os três juristas que apresentaram o pedido, a filha de Hélio Bicudo, Maria Lúcia Bicudo, afirmou que o pedido de afastamento de Dilma apresentado nesta quarta-feira é “para o bem” do País. Ela defendeu que, em meio à crise pela qual o Brasil passa, os jovens precisam usar suas energias para pedir mudanças. “Como diria Ulysses Guimarães, a praça pública é maior que as urnas”, afirmou. Bicudo rompeu com o PT há uma década e tem sido crítico contumaz do partido, mas alguns de seus filhos discordam dessa postura e acham que o pai, de 93 anos, estaria sendo "usado" pelos movimentos pró-impeachment.

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