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Carlos Villalba/EFE

Cunha perde condições de ser presidente da Câmara se virar réu, diz Falcão

Principal dirigente do PT afirmou que o peemedebista também tenta protelar processo de investigação depois que mentiu à CPI da Petrobrás

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Daniel Carvalho,
O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2016 | 17h10

BRASÍLIA - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quarta-feira entender que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) perde as condições de permanecer na presidência da Câmara caso se torne réu no caso que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás.

"Se ele for transformado de denunciado em réu, dificilmente teria condições de continuar aqui do ponto de vista jurídico-político", afirmou o petista ao fim da reunião que conduziu o deputado Afonso Florence à liderança da bancada do PT na Câmara.

Aos deputados, Falcão disse que Cunha tenta protelar o processo "depois de ter mentido" à CPI da Petrobrás e classificou o peemedebista como "alguém que consta mais nas páginas policiais do que nas páginas da políticas".

Em seguida, durante entrevista, reafirmou as críticas ao deputado, que aceitou o pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff. "Ele mentiu para seus colegas. Isso é objeto de um processo no Conselho de Ética porque ele disse que não tinha contas no exterior e há fartas provas de que ele tinha contas no exterior. Essa foi a mentira pela qual ele está tendo que prestar contas", disse o presidente do PT.

O petista criticou também as manobras protelatórias conduzidas por aliados de Cunha para retardar os trabalhos do Conselho de Ética no julgamento de Eduardo Cunha. "Pelo que leio na imprensa, é uma manobra protelatória para retardar o julgamento", afirmou.

Lula. Rui Falcão também saiu em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de investigações da Operação Lava Jato e de ações da oposição, que coleta assinaturas para formar uma CPI para investigar a Bancoop (Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários) e sua relação com Lula. Para o presidente do partido, a oposição tenta impedir a candidatura do ex-presidente em 2018. "Eles já ficam com medo antes da disputa, haja vista que eles querem cassar nosso registro, porque aí fica mais fácil de ganhar a eleição, por WO", afirmou. O PSDB entrou com pedido na Procuradoria-Geral Eleitoral para extinguir o Partido dos Trabalhadores caso seja comprovado que o partido usou dinheiro desviado da Petrobrás em suas campanhas, como afirmou o ex-diretor Nestor Cerveró em sua delação premiada.

Ao defender Lula e pedir que os deputados petistas também saiam em sua defesa em discursos e na internet, Falcão disse que o ex-presidente da República sofre "violências". "Hoje, qualquer cidadão ou cidadã está ameaçado de sofrer as violências que o Lula está sofrendo: ser chamado para depor, ser denunciado antes de ser ouvido. Isso é coisa que pode afetar qualquer brasileiro ou brasileira", afirmou.

"O que me incomoda mais são as violações ao Estado democrático de direito, a resistência em conceder habeas corpus - não é só para a Lava Jato -, as restrições ao direito de defesa, as violações do devido processo legal. Isso que me preocupa", disse Falcão.

Inserções

Falcão negou que Lula e a presidente Dilma Rousseff não participarão das inserções do PT por temerem manifestações. "Nunca pensamos em colocá-los. São comerciais de 30 segundos no meio do Carnaval. É ridículo imaginar que se faz panelaço em inserção, que não tem data e hora. Ninguém vai ficar de frente para a televisão o dia inteiro esperando a inserção. É verdade que eles não participam, mas não por qualquer temor", afirmou.

Rui Falcão disse que tanto Lula quanto Dilma foram convidados para participar do programa partidário no próximo dia 23. "O presidente Lula já confirmou e estamos aguardando a confirmação dela", afirmou. 

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