Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cunha nega ter discutido saída de Cardozo em almoço com Temer e Renan

A declaração foi dada ao chegar à Câmara, após encontro com os outros dois peemedebistas no início da tarde desta quarta-feira, 14, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente

Igor Gadelha, Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 16h54

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou nesta tarde que tenha conversado com o vice-presidente Michel Temer e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),  sobre pedido de saída do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do cargo. A declaração foi dada ao chegar à Câmara, após encontro com os outros dois peemedebistas no início da tarde desta quarta-feira, 14, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

De acordo com informações de bastidores publicadas pelo imprensa, Cunha estaria negociando com o Palácio do Planalto e lideranças do governo na Câmara para que Temer assuma o Ministério da Justiça no lugar de Cardozo. Esse seria um dos pontos da negociação do peemedebista para tentar salvar seu mandato de deputado. Em troca, Eduardo Cunha se comprometeria a não deferir qualquer pedido de impeachment contra a presidente Dilma Roussseff na Casa.

 

O presidente da Câmara chegou por volta das 13 horas ao Palácio do Jaburu, onde almoçou com Michel Temer. Já o presidente do Senado só chegou ao local por volta das 14h10. Os dois deixaram a residência oficial do vice-presidente por volta das 15h10. Eles não falaram com imprensa nem na chegada nem na saída. O encontro dos três peemedebistas não constava na agenda oficial deles até a tarde desta quarta. Não há informações da participação de outros políticos na reunião.

Aproximação. Apesar de Cunha negar que esteja negociando com o Planalto para garantir sua permanência no cargo, deputados governistas ouvidos pelo Broadcast Político não escondem que há uma aproximação do Executivo com o presidente da Câmara. O condutor das conversas, dizem, seria o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. "Não podemos entregar Eduardo Cunha nas mãos da oposição. Tem de dialogar", justificou um aliado em condição de anonimato.

A saída de Cardozo do cargo também agradaria a boa parte da bancada do PT. Os petistas estão incomodados com as investigações contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e com as apurações contra os governos Dilma e Lula. Eles reclamam que o ministro não tem controle sobre a Polícia Federal. Para os petistas, a PF poderia se aprofundar nas investigações envolvendo também supostas irregularidades ocorridas no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Segundo aliados do Planalto relataram ao Broadcast Político, outro pedido do peemedebista na negociação com o Palácio do Planalto seria a intervenção do governo junto à Procuradoria Geral da República (PGR) para "segurar" as investigações contra ele.

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