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Cunha expressa o desejo da bancada, diz Vital do Rêgo

RICARDO BRITO - Agência Estado

11 Março 2014 | 13h 53

Peemedebista recusou convite do governo Dilma para assumir o Ministério do Turismo e disse que não quer ser 'motivo de divisão para o partido'

Brasília - O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) afirmou nesta terça-feira, 11, que não aceitou o convite do governo Dilma Rousseff para ocupar o Ministério do Turismo. Atualmente a pasta é da cota do PMDB da Câmara dos Deputados, comandada por Gastão Vieira, que deixará o posto em breve para concorrer à reeleição para a Casa. "Não quero ser motivo de divisão para o partido", disse.

Ele aproveitou ainda para defender a atuação do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) que tem criticado o desprestígio do partido com o governo e chegou a defender na semana passada o rompimento com a aliança nacional com Dilma. "Ele (Eduardo Cunha) apenas expressa o desejo da bancada", disse.

Vital do Rêgo disse que se sentiria "desconfortável" em comandar o Ministério porque poderia invadir um espaço reservado ao partido na Câmara. O PMDB tem atualmente cinco ministérios, sendo que dois deles, Turismo e Agricultura, são da cota dos deputados.

O senador afirmou ter recebido convite para ocupar o Turismo no dia 27 de fevereiro, mas, após conversar com a cúpula do partido nas duas Casas, declinou o posto. Desde outubro passado, quando o PSB deixou a base aliada e o Ministério da Integração Nacional, o PMDB fez um movimento político para ocupar essa pasta. Ex-deputado, Vital teve o nome ungido pelas bancadas da Câmara e do Senado, mas Dilma vetou sua indicação.

A presidente queria emplacar na Integração Nacional o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o que daria um palanque único para Dilma no Ceará ao apoiar apenas o nome da família Gomes, do PROS, à sucessão estadual. Mas Eunício não aceita qualquer cargo na Esplanada, uma vez que é o pré-candidato ao governo do Ceará mais bem cotado nas pesquisas de intenção de voto.

Integração Nacional. A respeito de indicações para outros postos no governo, como a própria Integração Nacional, Vital do Rêgo fez questão de ressaltar que delegou este papel aos líderes do partido. E que não tem participado das negociações da sigla.

Mesmo rejeitando assumir um cargo na Esplanada, o senador peemedebista disse que se sentia honrado por ter conseguido o apoio das duas bancadas. Mas afirmou que, no momento, é mais útil para o governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a mais importante da Casa e da qual é presidente. Ele citou como propostas a serem discutidas na comissão a revisão do Código Penal e da Lei de Licitações.

Palanques regionais. Para o peemedebista, a prioridade do partido no momento é resolver a formação dos palanques regionais com o PT. Ele elogiou o fato de os petistas terem sinalizado que poderiam apoiar candidatos do PMDB em seis estados, entre eles a Paraíba. Lá, o partido deve lançar o irmão de Vital, o ex-prefeito de Campina Grande Veneziano Vital do Rêgo.

"Nós queremos votar na Dilma e lá já tem dois palanques", disse Vital, referindo-se ao do PSDB, com o senador Cássio Cunha Lima, e do PSB, com o atual governador e candidato à reeleição, Ricardo Coutinho.