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Cunha acusa Janot de usar 'estratégia ardilosa' contra ele

Para o presidente da Câmara, há interesse de desviar o foco do possível processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

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Daiene Cardoso ,
O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 18h53

Brasília - Em nota divulgada nesta tarde pela assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (RJ), atacou a "estratégia ardilosa" da Procuradoria-Geral da República (PGR) de divulgar "maciçamente" detalhes de investigações contra ele e concluiu que há objetivo "desestabilizar sua gestão e atingir sua imagem de homem público".

Para Cunha, há interesse de desviar o foco do possível processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista voltou a negar que tenha recebido vantagem "de quem quer que seja" e concluiu que ação da PGR tem "objetivo maldoso" em desviar o interesse dos "reais responsáveis por malfeitos". 

"Os seus advogados terão agora, finalmente, a oportunidade de conhecer os supostos dados e documentos alardeados pela mídia ao longo das duas últimas semanas, em uma tentativa de constranger e desgastar politicamente o presidente da Câmara. Trata-se de uma clara perseguição movida pelo procurador-geral da República. É muito estranha essa aceleração de procedimentos às vésperas da divulgação de decisões sobre pedidos de abertura de processo de impeachment, procurando desqualificar eventuais decisões, seja de aceitação ou de rejeição, do presidente da Câmara", diz o texto.

Em sua avaliação, a PGR trata seu processo de forma diferente da ação contra os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação). "Provavelmente, essa forma busca dar um verniz de legalidade aos vazamentos ocorridos, preservando-os de possíveis consequências. Por exemplo: os inquéritos propostos contra os ministros Aloizio Mercadante e Edinho Silva foram, a pedido do PGR, com sigilo. Por que a diferença?", observa a mensagem.

O presidente da Câmara diz que o comportamento da PGR coloca em xeque "a respeitabilidade de um processo que deveria ser sério", ou seja, o processo de combate à corrupção. Reclamando de "ação persecutória" do Ministério Público, Cunha considera que não teve direito à ampla defesa até o momento no processo.

"Por várias vezes, desde o início desse processo, o presidente da Câmara tem alertado para a atuação política do PGR, que o escolheu para investigar, depois o escolheu para denunciar e, agora, o escolhe como alvo de vazamentos absurdos e ilegais, que impõem o constrangimento de ser incluído em tudo que se refere à apuração de responsabilidades nesse processo de corrupção na Petrobrás, que tanto envergonha o Brasil e está muito distante dele. Parece que a única atribuição que resta ao PGR é acusar o presidente da Câmara", acrescenta a nota. Ao final, Cunha diz confiar que o STF "faça justiça" e anule a "perseguição" contra ele.

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