Pedro França/Agência Senado
Pedro França/Agência Senado

Cristovam Buarque anuncia licença para iniciar campanha como pré-candidato à Presidência

Senador diz, porém, que existe possibilidade real de Luciano Huck ser o nome do PPS para concorrer ao Planalto; com sua saída da Casa, quem assume é o petista Wilmar Lacerda

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 20h46

BRASÍLIA - O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) anunciou nesta segunda-feira, 13, que vai tirar uma licença de quatro meses para iniciar a sua campanha como pré-candidato do PPS à Presidência da República em 2018. Para isso, ele pretende "viajar" e "convencer" os militantes do partido.

Com a saída, quem assume como suplente é o petista Wilmar Lacerda, ex-secretário do governo Agnelo Queiroz no Distrito Federal e citado no caso do mensalão. Segundo Cristovam, existe uma possibilidade real do apresentador Luciano Huck ser o candidato do PPS na próxima eleição presidencial.

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"Não é boato, é verdade, e acho que seria muito positivo se ele entrasse no partido. Vou disputar com ele", declarou ao Broadcast Político. Buarque disse ainda que seria "muito importante" se o ministro Raul Jungmann (Defesa) também pleiteasse a vaga - a convenção nacional da sigla para definir o candidato está prevista para março do ano que vem.

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"Eu creio que eu tenho condições - e os outros candidatos também devem ter - de dizer como é que eu penso se o meu Partido me escolher, que o Brasil pode fazer para retomar a coesão e definir um rumo para o seu futuro. Mas, para isso, eu vou precisar convencer os militantes do meu partido e ouvir o povo", explicou. Ele ponderou que, se houvesse apoio unânime ao seu nome na sigla, ele não precisaria se afastar por quatro meses do Senado neste momento.

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Apesar das pretensões de Buarque, aliados de Lacerda afirmam que ele vinha cobrando o afastamento do senador desde o início do ano. Os dois teriam firmado um acordo ainda no período da campanha eleitoral, em 2010, para dividir parte do mandato de oito anos. Na época, Cristovam era mais próximo do Partido dos Trabalhadores.

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Hoje, no entanto, Cristovam negou que tenha feito um acordo político para se licenciar. "Se houvesse pressão, seria para eu renunciar ao mandato, e não para me afastar por apenas quatro meses, isso não faz sentido. Eu sempre digo que acho importante senadores se licenciarem por um período, pois oito anos de mandato é muito tempo", rebateu.

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Mais cedo, no plenário, Cristovam afirmou que mantém "grande relação pessoal" com Lacerda. "Meu suplente não financiou campanha, meu suplente não é daqueles que chegam só para ajudar, é um velho militante do Partido dos Trabalhadores, que não é o meu Partido, mas é o suplente que eu tenho. E eu estou tranquilo de deixar nas mãos dele, senadores", defendeu.

Lacerda ocupa atualmente um cargo na liderança do PT no Senado. Ele foi secretário de Administração Pública do governo de Agnelo Queiroz, que comandou o Distrito Federal entre 2011 e 2014. Após o fim do mandato, foi condenado junto do ex-governador por improbidade administrativa, mas acabou absolvido após entrar com recurso. Ex-presidente do PT no DF, ele também foi envolvido na CPI do Mensalão por ter sacado dinheiro depositado pelo publicitário Marcos Valério na conta do partido. 

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