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Crimes não podem continuar impunes, diz diretor da Anistia Internacional

THAISE CONSTANCIO - Agência Estado

01 Abril 2014 | 13h 42

Grupo lançou campanha nesta terça-feira, 1º, para mobilizar a sociedade em torno da revisão da Lei da Anistia

RIO - A organização da sociedade civil Anistia Internacional Brasil lançou nesta terça-feira, 1º, a campanha 50 Dias Contra Impunidade, na frente da Câmara de Vereadores, na Cinelândia, no centro do Rio. O objetivo é colher assinaturas para revisão da Lei de Anistia, de 1979, para que agentes de Estado que cometeram crimes durante a ditadura militar possam ser punidos. Voluntários em outras cidades brasileiras como Brasília, São Paulo, Goiânia (GO), Belém (PA), Dourados (MS) e Porto Alegre (RS) também se organizam para expandir a ação pelo País.

Quem passava pela Cinelândia na manhã desta terça, se deparava com 20 placas que representavam o escudo e a bota usados pelo Exército. Nelas estavam escritos fatos que marcaram a ditadura militar como "1970: Criação do DOI-Codi e de outros centros de tortura" e "1981: Atentado do Riocentro". Em todas, a frase "Dê fim à impunidade. Assine a petição: anistia.org.br" completava a ação. Durante quase dois meses, cidadãos poderão assinar a petição online que apoia a revisão da Lei.

"Não estamos apresentando uma proposta de lei. Queremos mobilizar a sociedade e chamar a atenção do Estado e do Legislativo para mostrar a importância de romper com esse ciclo de impunidade e completar a transição para a democracia mandando uma mensagem clara para a sociedade e para o mundo de que crimes contra a humanidade cometidos por agentes do Estado durante a ditadura não podem permanecer impunes", afirmou o diretor da Anistia Internacional Brasil, Átila Roque.

A campanha, lançada prioritariamente nas redes sociais para atingir os jovens, faz um paralelo entre os abusos no período da ditadura militar e na atualidade. Entre as peças estão fotos do jornalista Vladimir Herzog, morto no DOI-Codi de São Paulo, em 1975; da chacina da Candelária, quando policiais militares assassinaram meninos de rua no Rio, em 1993; e da auxiliar de serviços gerais Claudia da Silva Ferreira, arrastada por cerca de 350 metros por um carro da polícia no Rio, em março de 2014.

Venezuela. Um grupo com menos de dez venezuelanos aproveitou o ato da Anistia Internacional Brasil e protestou contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Eles pediam mais democracia no país e se posicionaram na frente de uma escultura da praça da Cinelândia com os dizeres "Libertas que sera tamen", lema proposto por mineiros inconfidentes, no século XIX.

Em menos de 45 dias, 40 pessoas, entre manifestantes e policiais, morreram no país em protestos contra e a favor do governo. "Queremos um governo que governe. Um governo que ajude as pessoas a ter alimentos, que garanta a segurança para as pessoas saírem na rua sem medo. Eles (o governo) controlam as empresas e não produzem, mandam na polícia e não temos segurança", desabafou a venezuelana Deise Mateus, de 43 anos.

No Brasil há dois anos, ela disse que em seu país natal, ações como a da Anistia Internacional seriam proibidas. "Eles (o governo) não aceitam quem pensa diferente. Para eles, o povo é só quem pensa igual, mas somos todos venezuelanos".

Mesmo com a presença de representantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) no país, ela tem poucas esperanças de que alguma coisa mude. "Na Unasul todos os países são amigos do governo (de Maduro), não do país. Seria melhor que outro organismo mais independente, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) ou a Organização das Nações Unidas (ONU) fizessem esse trabalho já que o presidente diz que não tem nada a esconder".

Deise disse que nunca votou em Hugo Chávez porque "ele tentou dar um golpe de estado e acho que não era certo. Não me arrependo". Ela esclareceu que não defende um golpe de estado, mas que o país seja mais democrático.

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