'CPMF é crucial para o País', diz Dilma na Suécia

Presidente volta a defender recriação do tributo como fundamento para reequilibrar contas públicas e retomar atividade econômica

Andrei Netto, enviado especial, e Mário Braga, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2015 | 02h01

Estocolmo - A presidente Dilma Rousseff voltou a defender no domingo, 18, em Estocolmo, na Suécia, a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), classificada por ela como crucial para a retomada do crescimento. "O Brasil precisa aprovar (a CPMF) para que a gente tenha um ano de 2016 estável do ponto de vista do reequilíbrio das nossas finanças", disse a presidente.

Ao destacar a necessidade da CPMF, Dilma disse que sem a volta do chamado imposto do cheque é muito difícil estabilizar as contas públicas. "Não vou dizer que é impossível, mas está no grau de dificuldade máxima. A CPMF é crucial para o País. Não é uma questão do governo", afirmou.

A PEC que recria a CPMF ainda aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Commodities. A presidente disse ainda que não gostaria de ter de elevar a carga tributária do País, mas admitiu que isso se faz necessário em razão de medidas de renúncia fiscal adotadas em seu primeiro mandato, de 2010 a 2014. "Um dos fatos que leva a nossa dificuldade agora é que nós tivemos um nível de desoneração para além do desejável, se consideramos que - não tínhamos como saber disso - no futuro ia haver o fim do superciclo de commodities e que a China ia desacelerar nessa proporção."

Segundo Dilma, como o governo não sabia dessas mudanças na economia global, optou por reduzir impostos. "É sempre melhor reduzir imposto que aumentar imposto, a não ser em momentos em que você se defronta com problemas críticos, como a desaceleração da China, que ninguém contava (que ocorreria) nessa proporção."

Questionada sobre como pretende fazer o Brasil voltar a crescer, Dilma afirmou que o País busca reequilibrar a economia por meio de um "enorme esforço" para reduzir os gastos públicos e pela "redefinição" dos preços relativos. Na avaliação da presidente, este movimento nos preços levará à redução da inflação e, com as mudanças no câmbio, ao aumento das exportações.

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