CPI vai mostrar quem tem ´relações promíscuas´, diz Lago

Suspeito na Navalha, governador diz ser a favor da CPI que apuraria o caso

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), manifestou nesta quinta-feira, 14, apoio à abertura da chamada CPI da Navalha para apurar o caso Gautama, empreiteira suspeita de liderar a máfia que fraudava licitações de obras públicas. "Acho que seria uma forma de deixar muito claro quem tem relações promíscuas e quem não tem." Disse desconhecer, porém, a intenção do Ministério Público Federal (MPF) de incluí-lo nas investigações do caso. "Eu nunca fiz contrato com a Gautama." O governador maranhense é acusado de ter recebido propina, através de dois sobrinhos, para liberar o pagamento de uma obra da Gautama no Estado. Os sobrinhos Alexandre de Maia Lago e Francisco de Paula Lima Júnior foram presos durante a chamada Operação Navalha, da Polícia Federal. Lago disse que a empresa foi levada para o Maranhão pela ex-governadora Roseana Sarney em 2000. Porém, continuou atuando em seu governo. "Atualmente a Gautama constrói 24 pontes no Maranhão. Nós apenas pagamos o que foi executado. Depois do que houve, suspendemos os contratos, tanto os que a Roseana fez como os de 2004." Abordado pela imprensa na chegada ao ginásio Nilson Nelson, em Brasília, para participar do 5º Congresso Nacional, o governador se mostrou surpreso com a possibilidade da investigação. "É interessante como a imprensa sabe o que o MP vai fazer." Lago voltou a dizer que está sendo vítima de um "massacre da mídia", que atribuiu à oposição em seu Estado. "Lá (Maranhão) há um domínio de 40 anos que não me aceita." Segundo ele, a oposição está trabalhando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para afastá-lo do governo e tenta envolvê-lo com o que chamou de escândalo do momento. "Eles não aceitam, depois de 40 anos, perder o governo." Durante discurso para uma platéia de 15 mil militantes do MST, voltou a acusar a oposição de perseguí-lo. "Desde o resultado das eleições eles estão nos tribunais, tentando me envolver com as Gautamas da vida, que não são poucas". Disse, porém, que vai resistir: "Eles jamais nos atrairão para o lodaçal da corrupção onde sempre viveram."

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