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CPI da Petrobrás está se tornando uma 'farsa', diz Jarbas Vasconcelos

João Domingos

03 Abril 2014 | 12h 34

Em discurso duro no Senado, parlamentar do PMDB ataca atuação do PT e diz que investigação da estatal 'não vai dar em nada'

BRASÍLIA - O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou durante discurso na tribuna do Senado, na noite dessa quarta-feira, 2, que o PT, o governo e parlamentares da base aliada da presidente da República uniram-se para acabar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar irregularidades na Petrobrás. Disse que assinou o requerimento de criação da CPI e, ao perceber que está sendo feito de bobo, arrepende-se até do dia em que nasceu. Mas não vai retirar a assinatura. Ele atacou o PT, que tem afirmado a todo instante que o Senado não tem condições de apurar nada em relação à Petrobrás. Disse que tem procurado uma convivência civilizada com todos os partidos, mas não pode aceitar que o PT queira - a ele pessoalmente, e a outros partidos e parlamentares - "ensinar como se deve fazer política", sobretudo no campo ético. Vasconcelos lembrou que o PT está com sua antiga cúpula presa na Papupa, por causa do escândalo do mensalão.

"Eu não posso aceitar que um partido que está com a sua ex-cúpula, com José Dirceu, o ex-capitão do time de Lula recolhido na Papuda. O tesoureiro do partido (Delúbio Soares), que meteu a mão, comeu dinheiro, está na Papuda. José Genoino, que foi líder do partido, está na Papuda. O João Cunha - que presidiu a Câmara -, na Papuda."

Vasconcelos lembrou também que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, está preso. E foi ele que fez o contrato da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Eu era Governador do Estado, e a Petrobrás ficou de entrar com 60%, e a PDVSA (petroleira venezuelana) com 40%. Eu recepcionei, naquela época, o folclórico coronel Hugo Chávez e recepcionei o presidente Lula lá no Palácio das Princesas", disse o senador no discurso.

Segundo ele, a assinatura do contrato foi semelhante aos convênios feitos entre dois municípios dos mais inexpressivos do Brasil. "Um diz vamos abrir uma bodega, você entra com 60%, o outro bodegueiro entra com 40%. Depois, o que entrou com 40% diz que não vai pagar mais a bodega. E o bodegueiro aceita", disse ele, lembrando que, como noticiou o Estado, a Venezuela não honrou sua parte no contrato. "Foi esse o contrato que foi feito num palácio. Esse documento tem minha assinatura como governador do Estado de Pernambuco".

Jarbas Vasconcelos lembrou que a CPI da Petrobrás, criada no Senado, deveria apurar tudo o que ocorreu, para saber por que foi que a PDVSA não pagou. "E, se não pagou, por que não pagou e qual foi a explicação que deu".

Ele afirmou que a PDVSA não tinha experiência em águas profundas, embora fosse uma empresa maior do que a Petrobrás na época. "Então, resolveu entrar no Brasil através do Porto de Suape e através da Refinaria Abreu e Lima. Nós ajudamos em tudo. Até o nome de Abreu e Lima fomos nós que sugerimos colocar, para sensibilizar ainda mais o coronel Hugo Chávez. Assim tudo foi feito. E por que a PDVSA não honrou o compromisso? E fica por isso mesmo".

Paulo Roberto da Costa, o responsável pelo contrato, foi chamado de "ladrão" por Vasconcelos. "Esse ladrão, camarada, está aqui acusado de receber dinheiro, uma Land Rover do senhor Alberto Youssef, um doleiro… Esse mesmo doleiro agora - segundo a imprensa - deu dinheiro, deu um voo especial para o deputado André Vargas (PT), do Estado do Paraná, que é nada mais nada menos do que primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados", lembrou o senador.

Em seguida, ele voltou a fazer críticas ao PT. "Então, como é que um partido que tem a ex-cúpula dirigente - o capitão do time de Lula - na Papuda quer dar lições de moral para a gente aqui?". Ele lembrou que o PT quer impedir que o Senado apure as irregularidades cometidas pela Petrobrás. Para o senador Jarbas Vasconcelos, o Senado vai ser ridicularizado. "Quer dizer, nós estamos reduzidos a um papel ridículo, ridículo. Era muito melhor deixar de ser senador da República, procurar outra coisa para fazer, porque, se a gente não pode…".

"É uma farsa dizer que o Ministério Público Federal está apurando isso. Não está apurando", afirmou Vasconcelos. Ele lembrou que uma comissão de senadores foi até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a apuração.

Para Vasconcelos, do jeito que as coisas vão no Senado, a CPI não vai dar em nada. Por isso, afirmou que está arrependido até o dia em que nasceu. "Eu me arrependo da hora em que nasci quando assinei esta CPI. Eu não deveria ter assinado. Mas, em política, tudo o que a gente tem que explicar,A complicação já vem aí. Assim, se eu não tivesse assinado essa CPI, eu estava com a minha consciência tranquila, mas tinha que dar satisfação àqueles que confiaram em mim e aos meus amigos, porque aqui eu tenho a conduta que tenho e não assinei essa CPI".

"Essa CPI não vai dar em nada", continuou ele. "Essa CPI vai ser uma farsa! Em um ano de Copa do Mundo, de eleição, a gente vai compactuar com uma coisa que não vai funcionar - não vai funcionar! Então, é muito melhor a gente ficar em cima do Ministério Público para que se junte ao Tribunal de Contas, que se junte à Polícia Federal - essa Polícia Federal que está cerceada, essa Polícia Federal que o PT e o governo querem, os dois, que seja uma polícia de partido, uma polícia de governo, e não uma polícia de Estado. A Polícia Federal está completamente esvaziada. A Polícia Federal está esvaziada, sucateada; as pessoas estão deixando a Polícia Federal para irem para outras instituições porque o PT, hoje, quer que ela seja partidarizada; quer que, quando for fazer uma investigação para pegar pela gola um corrupto, primeiro avise para que as pessoas de interesse da base partidária também sejam avisadas".

Jarbas Vasconcelos afirmou que o PT pedia a instalação de CPI para qualquer coisa quando era oposição e que votou contra as boas iniciativas da política. "Eu não posso aceitar que um partido que pedia CPI contra tudo e contra todos, um partido que votou contra Plano Real, que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, um partido que ameaçava entrar com CPI contra tudo e contra todos venha, hoje, querer ensinar a gente aqui a não fazer CPI, fazendo a gente de bobo, de tolo, de idiota."

O senador afirmou ainda que o setor elétrico está quebrado, "completamente quebrado pela presidente Dilma. Hoje sai, inclusive, uma injeção de R$8 bilhões a R$ 9 bilhões para atender o setor, que ela quebrou, para baixar as tarifas de luz e tirar proveito eleitoral dessa coisa".