Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

CPI da Petrobrás convoca Graça, mas poupa empreiteiros

Ex-dirigentes da estatal são os primeiros a terem depoimentos aprovados na comissão; bate-boca marca sessão

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 18h43

Atualizado em 06.03

Brasília - A CPI da Petrobrás aprovou nesta quinta-feira, 5, 109 dos 340 requerimentos apresentados, deixando de fora pedidos relacionados a convocação ou quebra de sigilos fiscal e telefônico de políticos e empreiteiros supostamente envolvidos no esquema de corrupção. A sessão durou cinco horas e foi marcada por bate-boca entre os deputados. A sessão durou cinco horas e foi marcada por bate-boca entre os deputados. A primeira das 23 convocações aprovadas é a do ex-gerente Pedro Barusco, que deve ser ouvido na terça-feira.

Estão entre as prioridades da CPI os ex-presidentes da estatal Graça Foster e José Sergio Gabrielli e a presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, além do doleiro Alberto Youssef e dos ex-diretores Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Renato Duque e Nestor Cerveró. A lista de convocação inclui o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão.

Os requerimentos que pedem a convocação dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci e dos empreiteiros que estão detidos desde novembro não foram apreciados. “Está se evidenciando um acordão na CPI para ela não ir fundo, ao contrário do que propalam seus principais componentes”, disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ).

O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), negou a intenção de proteger alguém. “Coloquei todos os requerimentos na pauta. Os líderes partidários, em comum acordo com o relator, resolveram priorizar requerimentos em que havia comum interesse tanto do relator quanto da oposição”, disse Motta. Segundo o presidente, os demais requerimentos continuam na pauta e serão apreciados nas próximas sessões.

Na lista de pedidos aprovados também está o que solicita a contratação da multinacional Kroll para investigar crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Motta negou-se a estender a investigação da CPI ao governo de Fernando Henrique Cardoso, como queriam os petistas.

‘Molecagem’. A sessão foi marcada por um bate-boca generalizado quando Motta anunciou a criação de quatro sub-relatorias, enfraquecendo o trabalho do relator, Luiz Sérgio (PT-RJ).

Deputados do PT e do PSOL revoltaram-se por não terem sido consultados sobre as sub-relatorias e seus titulares, anunciados ontem. Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) era o mais exaltado. Chamou Motta, de 25 anos, de “coronel” e “moleque” e precisou ser contido pelos colegas.

“Quem manda aqui é o presidente. Não aceito desrespeito. Cabelo branco não é sinônimo de respeito”, reagiu Motta aos gritos. “Não serei fantoche para me submeter à pressão aqui. Não tenho medo de grito. Da terra onde venho, homem não ouve grito.”

Acalmados os ânimos, Edmilson pediu desculpas ao peemedebista e negou ter chamado o colega de “moleque”. Alegou ter dito: “Não amoleque esta CPI”.

Luiz Sérgio também reclamou das sub-relatorias. “Minha avó dizia que bolo que muita gente mexe acaba solado”, disse. “Se no final sair um bolo solado, a culpa não pode ser só minha.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.