DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Cortes mostram que governo quer economizar, mas são pouco para cobrir déficit , dizem economistas

Analistas estimam que medidas anunciadas por Dilma nesta sexta somam R$ 3 bi, pouco para cobrir o rombo de R$ 30,5 bi do Orçamento de 2016, mas avaliam como positivo sinal emitido pelo Planalto

Fábio Rossini e Lucas Lopes, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 20h04

Especialistas em contas públicas avaliam que as medidas anunciados nesta sexta-feira, 2, pela presidente Dilma Rousseff, como a redução de oito ministérios, corte de três mil cargos comissionados e de 20% de custeio da máquina pública, terão pouco impacto nas contas públicas e na redução do déficit de R$ 30,5 bilhões do Orçamento de 2016. Na opinião de analistas ouvidos pelo Estado, os cortes têm mais efeito simbólico de apontar compromisso do governo com a austeridade fiscal.

"É mais político (o corte). Tem um impacto na cabeça da população, dá a impressão de que vai ter uma grande economia com o corte de ministérios, mas na questão de ajuste fiscal é poerinha", avalia o mestre em Finanças Públicas Amir Khair.

Para ele, o governo precisaria fazer um corte mais expressivo nas despesas para obter impacto nas contas públicas. "Isso não é ajuste fiscal, nem aqui nem na China. Isso é brincadeira que o ministro da Fazenda (Joaquim Levy) está fazendo junto com seu colega do Planejamento (Nelson Barbosa)", afirma. “Há uma imagem boa para as pessoas de que o governo está preocupando em economizar, mas isso não vai melhorar a questão fiscal”.

R$ 3 bilhões. A estimativa do economista Fábio Klein é de que a redução de três mil cargos comissionados represente cerca de R$ 600 milhões. "Usando essas referências e juntando com os outros cortes, chegamos a cerca de R$ 3 bilhões economizados, valor equivalente a 0,05% do PIB”, calcula. “Comparando com os R$ 40 bilhões que o governo deve ter de déficit no Orçamento de 2016, o corte é pequeno. Mas o tamanho desse impacto também não é desprezível", comenta.

Na opinião de Klein, a também anunciada redução do próprio salário da presidente Dilma e do vice-presidente Michel Temer – de 10%, caindo de R$ 30.934,70 para R$ 27.841,23 – deve ter um impacto político relevante. "Com certeza a diminuição do salário tem um efeito importante. É como se ela falasse: 'Eu também estou pagando a conta junto'. Isso tem um efeito simbólico muito forte, maior que o valor economizado em si", conclui. 

O economista Raul Velloso reforça esse entendimento de que a medida é mais uma sinalização do governo de austeridade fiscal. "São medidas que o governo deveria adotar há muito tempo. O valor é pequeno em relação ao que tem sido gasto, vale mais por sinalizar uma iniciativa de redução e de ajuste de gastos por parte do governo. Mas sempre tem algum impacto”. 

Eficiência. Para o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, a redução de ministérios, mesmo com baixo impacto orçamentário, pode ajudar, pelo menos, a melhorar a eficiência do governo. "Se olhar do ponto de vista da redução das despesas é algo relativamente pequeno. Mas era algo que precisava ser feito há tempos porque o Estado estava disfuncional, com excesso de ministérios, de secretarias. Essas medidas melhoram o ambiente de funcionamento do Estado”, avalia.

Além da redução de ministérios, de cargos e salários, Dilma anunciou que gastos de custeio e contratações do Executivo serão reduzidos em 20%. Uma central de automóveis para centralizar o atendimento aos ministérios será criada e haverá metas de gastos com água e energia, além de limites para uso de telefones, diárias e passagens aéreas. Deixarão de existir 30 secretarias das pastas que continuarão com suas atividades. Além disso, serão revistos contratos de aluguel, de tecnologia da informação e segurança. Por fim, a presidente reafirmou que será revisto o uso do patrimônio da União para dar mais eficiência aos imóveis. 

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