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cartel de trens

Corregedoria liga secretário de Haddad a cartel

O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2014 | 22h 58

Segundo nota oficial do órgão do governo paulista, Osvaldo Spuri, que trabalhou na CPTM, era responsável por documentos de licitações que teriam sumido

São Paulo - A Corregedoria-Geral de Administração do Estado ligou nesta quinta-feira o secretário de Infraestrutura do prefeito Fernando Haddad (PT), Osvaldo Spuri, ao cartel de trens suspeito de ter atuado em governos tucanos em São Paulo entre 1998 e 2008. Em nota oficial divulgada à imprensa, o órgão estadual diz que Spuri era o responsável por documentos de licitações que teriam sumindo da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Spuri, que entrou no secretariado na cota pessoal de Haddad, é funcionário afastado da CPTM e foi o presidente da comissão de licitações em concorrência na qual a alemã Siemens diz ter havido formação de cartel. Ele participou de licitações na CPTM nas gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB. O jornal Folha de S.Paulo revelou na quarta-feira que Spuri é alvo da Corregedoria.

O secretário de Haddad nega ter sido o responsável pelos documentos que mostravam como os preços de referência de licitações eram elaborados. Ele diz que a documentação em questão, porém, foi enviada ao arquivo da CPTM e ao Tribunal de Contas do Estado. Spuri foi o responsável pela licitação da Linha 5 do Metrô, cujo projeto foi originalmente planejado na CPTM, e é um dos contratos denunciados pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do governo federal.

O secretário de Haddad foi ouvido duas vezes pelos corregedores do governo Alckmin. Nos depoimentos, negou ter sido o responsável pela formação de preços. Ele também afirmou que participou da licitação da aquisição de 40 trens pela CPTM em 2008 e 2009 - contrato também mencionado pela Siemens no acordo de leniência, mas disse que nesse caso não era o presidente da comissão.

Depois dos depoimentos, a Corregedoria lhe enviou um ofício pedindo que ele mostrasse documentos relativos à formação de preços da compra dos 40 trens, mas ele respondeu que tal serviço era de responsabilidade da área técnica de engenharia, e não da comissão de licitações.

Nesta quarta, na nota, a Corregedoria relatou que a CPTM expediu ofício declarando que "o sr. Osvaldo Spuri, além de presidir as Comissões de Licitações, era Coordenador Técnico dos Projetos, de sorte a congregar todas as informações, inclusive a formação de orçamento".

O sumiço dos documentos remonta a reunião ocorrido em novembro do Grupo Externo de Acompanhamento, criado por Alckmin para que a sociedade civil acompanhasse a apuração da Corregedoria. Na ocasião, integrantes do grupo pediram a funcionários da CPTM documentos que mostrassem como a estatal compôs seus preços nas licitações denunciadas pela Siemens. A CPTM, porém, informou que tais documentos não foram encontrados.

Nesta quarta, Spuri emitiu nota na qual se diz vítima de um ataque da CPTM e da Corregedoria. "Manifesto minha indignação pela forma com que a CPTM e a Corregedoria do Estado tentam atingir a minha honra". Ele reiterou que "as composições de preços unitários dos sistemas foram calculadas e elaboradas pela área técnica de engenharia de sistemas da CPTM, que não era subordinada a comissão de licitação" e disse que "a documentação que compõe o processo licitatório foi encaminhado para o arquivo da CPTM em Presidente Altino e para o TCE". "Parte destes documentos também foi encaminhada ao BID".

 

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