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Coronel que admitiu tortura e mortes na ditadura morreu de enfarte, diz laudo

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

12 Maio 2014 | 20h 18

Polícia recupera armas e prende mais dois suspeitos de envolvimento no crime que culminou na morte de Paulo Malhães

RIO - Duas pessoas foram presas e sete armas e outros objetos que pertenciam ao tenente coronel reformado do Exército Paulo Malhães foram apreendidos no fim de semana em uma casa em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Malhães foi encontrado morto no dia 24 de abril em seu sítio em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após um suposto assalto. Na segunda-feira, 12, a Polícia Civil também divulgou que, segundo exame preliminar, o militar morreu em razão de um enfarte.

A viúva de Malhães reconheceu as armas (carabinas, fuzis e escopetas antigas), além de munição e talheres. A Polícia Civil não divulgou o nome dos dois presos “para não atrapalhar as investigações”. Eles estão detidos por porte ilegal de armas. Pelo menos duas pistolas continuam desaparecidas.

Semanas antes de ser morto, o tenente-coronel havia relatado, em depoimentos às Comissões da Verdade Nacional e Estadual do Rio, torturas e sumiço de corpos praticados durante a ditadura militar (1964-1985). Por isso, uma das hipóteses investigadas é de que Malhães tivesse sido alvo de queima de arquivo ou vingança. Mas, para a polícia, as prisões e apreensões do último fim de semana reforçam a hipótese de que o militar tenha sido vítima de um assalto ou latrocínio (roubo seguido de morte).

O caseiro Rogério Pires já estava preso acusado de envolvimento com a morte de Malhães. A morte do militar teria ocorrido durante o roubo das armas que ele colecionava. Dois irmãos de Rogério tiveram a prisão decretada por indícios de participação no crime, mas estão foragidos.

“É prematuro afirmar que eles (os dois novos suspeitos) tenham participado do ato criminoso , mas posso dizer que essas armas não caíram no colo deles. A linha de investigação continua sendo que o caseiro, dois irmãos e mais uma pessoa participaram”, disse o delegado Pedro Brandão Medina, da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.

Segundo Medina, laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que Malhães morreu vítima de um problema cardíaco. A polícia investiga se os criminosos agrediram o militar, o que pode ter resultado no enfarte, ou se o problema cardíaco foi causado exclusivamente pela emoção do momento.