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Coronel envolvido no caso Rubens Paiva depõe no Rio

CLARISSA THOMÉ - Agência Estado

25 Março 2014 | 14h 44

O coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, chegou por volta das 14h desta terça-feira, 25, para prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em audiência no Rio sobre a Casa da Morte, centro clandestino de tortura que funcionou em Petrópolis, na Região Serrana do Estado do Rio, nos anos 70.

Malhães contou recentemente em depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio que foi o responsável por sumir com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva. Ele também detalhou os métodos para se livrar dos presos políticos mortos no local sob tortura.

A audiência começou às 10h. O coordenador da CNV, Pedro Dallari, detalhou as investigações. Foi revelado que Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte, reconheceu há dez dias, por fotografias, cinco algozes: o coronel Freddie Perdigão Pereira (já morto); o sargento da reserva Rubens Gomes Carneiro; o comissário da Polícia Civil Luiz Claudio Vianna; o oficial Antonio Fernando Hughes de Carvalho; e o tenente-coronel da reserva Rubens Pain Sampaio. Até então, Inês só havia reconhecido o médico Amílcar Lobo (já falecido) e o subtenente Ubirajara Ribeiro de Souza. Ubirajara e Rubens Sampaio foram convocados para depor à comissão nesta terça, mas não compareceram.

Para Dallari, as investigações deixam claro que a Casa da Morte não foi uma iniciativa isolada, mas era "uma política de Estado de tortura operada por integrantes do Centro de Operações do Exército". A Comissão Nacional da Verdade chegou a pelo menos 20 nomes de presos políticos mortos na casa. Ele espera que Paulo Malhães forneça outros nomes de vítimas.

Os próximos passos da CNV é identificar outras casas que funcionaram como centros de tortura, como a de Petrópolis.