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Conta na suíça tem assinatura e cópia de passaporte de Cunha

Documentos foram encaminhados pelo Ministério Público suíço à Procuradoria-geral da República brasileira; peemedebista nega

Carla Araújo, Gustavo Aguiar e Lorenna Rodrigues , O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 14h24

Brasília - O Ministério Público da Suíça enviou à Procuradoria Geral da República (PGR) uma série de documentos que comprovariam que é do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a titularidade de conta naquele país. Entre os documentos estão cópias do passaporte de Cunha e da assinatura do deputado em cadastro do banco. A informação foi veiculada em matéria do Jornal Hoje, da Rede Globo.

De acordo com a reportagem, na documentação estão ainda reprodução do visto de entrada nos Estados Unidos de Cunha, além de dados pessoais como nome completo, data de nascimento e endereço em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Em um dos cadastros, a correspondência da conta atribuída a Cunha é enviada a endereço nos Estados Unidos porque ele teria informado ao banco que vive em país onde não há serviço postal seguro. Em outro cadastro, Cunha teria informado que deseja trabalhar na Suíça. 

A PGR solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo bloqueio de duas contas bancárias mantidas no Banco Julius Bäer atribuídas ao presidente da Câmara. Uma das contas está em nome da esposa de Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz. Além disso, a PGR diz que em 12 anos a evolução patrimonial do peemedebista foi de 214%.

De acordo com a PGR, a solicitação de sequestro dos valores é necessária, já que o processo foi encaminhado pela Suíça ao Brasil e há "a possibilidade concreta de que ocorra o desbloqueio das contas, com a consequente dissipação dos valores depositados nas contas bancárias estrangeiras". O processo foi transferido para a PGR já que o presidente da Câmara é brasileiro, está no País e não poderia ser extraditado para a Suíça. 

No pedido, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, diz que não há dúvidas em relação à titularidade das contas. "Há cópias de passaportes - inclusive diplomáticos - do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto", diz. Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente US$ 16 milhões.

Patrimônio. A Procuradoria-Geral da República aponta a evolução patrimonial de 214% de Cunha entre os anos de 2002 e 2014. Atualmente, o patrimônio declarado do presidente da Câmara é de R$ 1,6 milhão, de acordo com declaração feita à Justiça Eleitoral. Em 2002, o valor declarado era de R$ 525.768,00. Para Aragão, há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas e, ao menos em relação a Eduardo Cunha, "são produto de crime".

O bloqueio das contas ainda precisa ser autorizado pelo ministro do STF, Teori Zavascki. Ontem, o ministro autorizou abertura de um novo inquérito contra Cunha, que também vai investigar a esposa e uma das filhas do parlamentar. O pedido de investigação, feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem como base os documentos que mostram que Cunha, a filha dele, Danielle da Cunha, e a esposa são beneficiários finais em contas secretas na Suíça. Pesam contra eles as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os documentos foram enviados pelo Ministério Público da Suíça ao Brasil e revelam que um negócio da Petrobras em Benin, na África, irrigou as contas do parlamentar e de seus familiares. As autoridades do país europeu bloquearam em abril um valor que, em reais e no câmbio atual, chega a aproximadamente R$ 9,6 milhões. 

Além das contas que são objeto do inquérito, outras duas que tinham como beneficiário Cunha foram mencionadas pela Suíça: Orion SP e Triumph SP. Ambas foram fechadas pelo investigado um pouco depois da deflagração da Operação Lava Jato. 

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