Cooperativa do MST é suspeita de desviar R$ 350 mil

O Ministério Público Federal (MPF) investiga um possível golpe aplicado por uma cooperativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra 100 famílias do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Iaras, no sudoeste paulista. De acordo com a denúncia, a Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços dos Assentados da Reforma Agrária de Iaras e Região (Cocafi) usou o nome dos assentados para obter R$ 350 mil do Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal, mas o dinheiro não chegou às famílias.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

03 Janeiro 2011 | 18h14

Cada assentado deveria receber R$ 3,5 mil que seriam pagos por meio da entrega de alimentos à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Como nenhum deles sabia da dívida, ninguém pagou e todos ficaram inadimplentes.

De acordo com o presidente da Associação Rural Zumbi dos Palmares (Arzup), José Antonio Maciel, as famílias só tomaram conhecimento quando o débito foi cobrado pela Conab, no final do ano passado. Ele disse que o dinheiro foi liberado por meio de um convênio firmado em 2009 entre a cooperativa e a superintendência paulista do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas sem o conhecimento dos assentados.

No lugar dos beneficiários, quem assinou o documento foi o então presidente da Cocafi, Miguel da Luz Serpa, coordenador regional do MST. Entre os inadimplentes está a esposa de Maciel, Ondina. "Ninguém viu a cor desse dinheiro", disse a assentada. A associação levou o caso ao MPF de Ourinhos, também no interior de São Paulo. A cooperativa já foi intimada para prestar contas.

Serpa, que não está mais na direção da Cocafi, não retornou as ligações. A assessoria de imprensa do MST informou que a questão envolve a cooperativa e o Incra e que o convênio foi cancelado pelo órgão federal. Consultada pela assessoria de comunicação, a superintendência do Incra em São Paulo não se manifestou.

A Cocafi já é investigada pelo MPF por desvios na comercialização de 400 mil metros cúbicos de madeira retirada do assentamento. Pelo convênio com o Incra, a verba estimada em R$ 3 milhões deveria ter sido aplicada nos lotes, mas isso não ocorreu. No ano passado, o órgão revogou o convênio com a cooperativa e suspendeu a venda da madeira.

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