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‘Conselho tem relação de confiança com diretoria’, diz Wagner

Governador da Bahia, que fazia parte do conselho de Administração da estatal em 2006, defende que a compra 'era importante estrategicamente'

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Tiago Décimo,
O Estado de S. Paulo

21 Março 2014 | 20h56

Salvador - O governador da Bahia e ex-integrante do Conselho de Administração da Petrobrás, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira, 21, que os conselheiros da estatal confiaram nos responsáveis pela confecção do contrato de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006. "É um contrato de 3 mil páginas, que tem inúmeras cláusulas. Não conheço todas, nem era para eu conhecer, porque uma empresa como a Petrobrás tem filtros", disse.

"Tem as gerências, as gerências executivas, a diretoria, até chegar ao Conselho de Administração. Tem de haver uma relação de confiança", completou o governador.

Em nota ao Estado na noite de terça-feira, a presidente Dilma Rousseff - ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás na época da compra da refinaria - afirmou que apoiou o negócio baseada em documento "incompleto e juridicamente falho" e que, se soubesse das cláusulas que levaram à estatal a ser obrigada a assumir o controle de Pasadena, não teria tomado essa decisão. Dilma responsabilizou o setor da Petrobrás que produziu o material, dirigido na época por Nestor Cerveró, exonerado nesta sexta de um cargo na BR Distribuidora.

"Do que foi apresentado, o conselho votou decidindo que a compra era importante estrategicamente. Tanto que foi aprovada por unanimidade", disse Wagner. O governador levantou outra questão: a discussão de fevereiro de 2006 foi "a aprovação de uma compra de uma refinaria nos Estados Unidos, não a aprovação de um contrato". Segundo o petista, o contrato foi concluído em setembro daquele ano. "Ninguém apresentou um contrato detalhado. Foi dito: ‘Tem este ativo, que está sendo oferecido nesta faixa de preço e que representa um posicionamento da empresa no mercado americano’. Isso em um momento que a gente não tinha um mercado de combustíveis tão desenvolvido aqui no Brasil."

Wagner disse acreditar que a decisão do conselho foi acertada "para a época". "Uma empresa como a Petrobrás trabalha com cenários, com projeções para 5, 10, 15 anos, mas se amanhã o cenário muda, tudo o que havia sido traçado estrategicamente pode não valer mais a pena", explicou. "No cenário traçado em 2006, foi uma compra que integrava o projeto de desenvolvimento estratégico da Petrobrás. Em 2008, houve a crise no mercado americano. Junto com isso, eles descobriram o shale gas (gás de xisto). Evidente que o cenário mudou. Aí, você descobre o pré-sal no Brasil, e a realidade muda completamente."

Malfeito. O governador, porém, não descartou a possibilidade de ter havido ilegalidades na confecção do contrato. "Se houve algum malfeito, que se investigue e se puna o responsável, mas isso é diferente da decisão do conselho", disse. "Não vi nada de errado na nossa decisão."

Para Wagner, apesar dos problemas envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, a estatal não pode ser acusada de ter problemas na governança corporativa. "A Petrobrás tem ações em bolsas do mundo inteiro e uma das governanças corporativas mais rígidas do mundo."

O governador também negou haver mal-estar entre Dilma e o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, atual secretário de Planejamento da Bahia, apesar das declarações contraditórias sobre a aquisição da refinaria. "Não vi (as declarações), por isso não vou comentar, mas acredito que cada um deu seu ponto de vista sobre o processo, normalmente", disse. "Não há mal-estar (com Gabrielli)."

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