Conselho decidirá futuro de Renan com laudo da PF em mãos

Documentos entregues estão sendo periciados para comprovar autenticidade

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h40

Uma equipe de peritos da Superintendência da Polícia Federal em Alagoas começou neste domingo a analisar a situação fiscal das empresas que emitiram as notas apresentadas pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL). A análise começou com a verificação por computador do banco de dados da Secretaria da Fazenda. O trabalho prossegue na segunda-feira, dentro do expediente normal, com o auxílio dos auditores da Pasta. Por enquanto, a PF não está autorizada a interrogar os responsáveis pela emissão das notas, pois não há inquérito aberto. A análise, conforme explicou a assessoria da PF, se aterá a responder às indagações do Senado a respeito da autenticidade dos documentos. Para acompanhar o trabalho dos peritos, viajou a Maceió o diretor da Secretaria de Controle Interno do Senado, Shalom Granado. Com o laudo em mãos, o Conselho se reunirá na terça-feira para votar o parecer do relator, mas a PF admite que, por exigüidade de tempo, o laudo possa não ficar pronto na segunda. O laudo que a Polícia Federal pretende concluir ainda na segunda-feira a pedido do Conselho de Ética do Senado será parcial e não produzirá juízo de valor sobre a inocência ou culpa de Renan no processo em que ele é acusado de quebra de decoro. A PF informou que o senador não é alvo de investigação, o que dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise, portanto, se restringirá a uma contabilidade simplificada para verificar se são autênticos os documentos de defesa que ele apresentou. Renan entregou ao Senado cópias de notas fiscais, recibos e guias de transporte de animais para provar que o dinheiro usado no pagamento da pensão da jornalista Mônica Veloso, com a qual teve uma filha, provém de suas rendas agropecuárias e não do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. A perícia dos documentos está sendo feita desde sábado por uma equipe do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília. Os documentos comprovariam que o senador obteve R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado. Os peritos verão se os documentos estão dentro do prazo de validade, se têm origem legal e se contém rasuras, falsificações ou outros meios fraudulentos de emissão. Normalmente, segundo a PF, a perícia de documentos demora uma semana, no mínimo. Como se trata de laudo parcial, para atender uma demanda específica, ele pode ser feito em menos tempo, mas o trabalho foi prejudicado pelo fato de ter sido realizado no final de semana. No caso de o laudo no ficar pronto a tempo, a votação do parecer do relator pode ser novamente adiada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.