Conselho de Ética pode pedir perícia de recibos de Renan

Oposição pressiona por adiamento da votação de relatório que absolve senador

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 15h13

A oposição vai pressionar nesta sexta-feira o comando do Conselho de Ética do Senado para pedir o adiamento da votação do relatório que propõe a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de ter permitido que a construtora Mendes Júnior pagasse despesas pessoais suas. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), integrante do Conselho, acha que devem ser periciados os recibos apresentados por Renan sobre venda de seu gado. O relatório será votado nesta sexta pelo Conselho de Ética. Estes recibos foram usados por Renan para justificar seus gastos com o pagamento de pensão alimentícia para uma filha que teve com a jornalista Mônica Velloso. Renan é investigado pelo Conselho pela suspeita de ter permitido que a Mendes Júnior se encarregasse desses pagamentos. Para Demóstenes, depois que reportagem do Jornal Nacional mostrou que os compradores do gado vendido por Renan não confirmam essas operações, o relatório não pode mais ser votado sem que haja uma ampla investigação. "Ninguém quer responsabilizar o senador Renan previamente. Mas essas revelações reforçam minha posição anterior de pedir mais investigações e depoimentos. No mínimo, é necessário que se faça uma perícia contábil, por conta de profissionais, para saber se as transações de venda de gado realmente foram feitas. Acho que é preciso ser feito o adiamento da votação do relatório", afirma. Base governista Na base governista, que apóia a absolvição de Renan, a estratégia adotada é de cautela. Embora o PMDB defenda que o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) seja aprovado já hoje, outros integrantes da base governistas querem aguardar para tomar uma decisão depois que Renan apresentar os documentos que diz ter para comprovar todas as operações feitas com gado. Cafeteira disse que não vai alterar seu relatório que absolve o presidente do Senado. Segundo Cafeteira, seu relatório foi elaborado anteriormente às denúncias do jornal. "Não tenho que mudar meu relatório sobre uma coisa anterior. Meu relatório é sobre uma coisa antiga. De qualquer maneira, deixa um grau de dúvida", disse. Apesar de manter seu texto, Cafeteira defendeu a apuração das denúncias. "Acho que pelo menos a denúncia deve ser examinada", afirmou. "A matéria do Jornal Nacional questiona pontos das declarações entregues ao Conselho de Ética. Mas o senador Renan diz que consegue explicar essas operações. Então, a minha posição é de aguardar até a sessão do Conselho e esperar que ele apresente a documentação justificando as suas afirmações", afirmou o senador Renato Casagrante (PSB-ES), titular do Conselho e integrante da base governista. Nova documentação Para aliados, Renan avisou que vai apresentar documentos, com cheques e recibos, para cada venda de gado efetuada. Prometeu apresentar também recibos do Ministério da Agricultura sobre essas transações. Apesar disso, alguns senadores da base avaliam que se esses documentos não forem entregues ou forem pouco claros, não será possível impedir o adiamento da votação do relatório, como desejam os senadores de oposição. Demóstenes Torres, porém, não descarta a possibilidade de a base governista querer votar o relatório de qualquer jeito, independentemente de apresentação ou não de documentos por Renan. "Se você quiser fazer uma operação abafa, a melhor opção é tentar fazer isso logo de uma vez. Acho que seria um erro de quem apoiar essa estratégia. Porque se o senador Renan cometeu algum deslize, os outros senadores não têm nada com isso. Mas apoiando algo que impeça a produção de evidências que o condenem ou o inocentem, estarão se envolvendo diretamente nas acusações que pesam sobre ele", afirma. (Colaboraram Rosa Costa e Sônia Filgueiras)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.