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Política

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Conselho de ética do PMDB é instalado e recebe oficialmente denúncia contra Mauro Lopes

Ao menos 13 diretórios regionais do partido pedem a expulsão do parlamentar por ter assumido o comando da Secretaria da Aviação Civil

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Igor Gadelha,
O Estado de S.Paulo

18 Março 2016 | 16h57

BRASÍLIA - O Conselho de Ética do PMDB recebeu oficialmente nesta sexta-feira, 18, as denúncias contra o deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG). Pelo menos 13 diretórios regionais do partido pedem a expulsão do parlamentar por ter assumido nessa quinta-feira, 17, o comando da Secretaria da Aviação Civil (SAC), descumprindo moção aprovada na convenção do último sábado, 12, que proibiu peemedebistas de assumirem cargos no governo federal durante 30 dias.

Membro do diretório regional do PMDB do Distrito Federal, a secretária-geral do Conselho de Ética, Rose Rainha, foi escolhida relatora dos 11 processos contra Mauro Lopes. De acordo com o presidente do colegiado, Eduardo Krause, do diretório regional do Rio Grande do Sul, Rose será responsável por elaborar um parecer no qual pedirá ou não a expulsão do parlamentar. O parecer, então, deverá ser encaminhado para a Executiva Nacional do partido, a quem caberá a decisão final.

O presidente do Conselho de Ética do PMDB afirmou que Mauro Lopes deverá ser notificado oficialmente das denúncias na segunda ou terça-feira da próxima semana. A partir daí, o parlamentar mineiro terá até 10 dias para apresentar sua defesa junto ao colegiado e à Executiva Nacional. De acordo com Krause, o objetivo do colegiado é concluir o julgamento do caso do ministro da SAC "o quanto antes". A previsão do dirigente é de que tudo esteja concluído em 20 dias.

Para que pudesse receber oficialmente as denúncias contra o novo ministro da SAC, o Conselho de Ética do PMDB teve de eleger antes seu presidente e secretária geral. Isso porque o regimento interno do partido estabelece que, após cada convenção nacional do partido, a direção do colegiado deve ser renovada. A última convenção foi realizada no último sábado, 12. Por orientação do comando nacional do PMDB, a instalação foi antecipada em alguns dias para analisar o caso de Mauro Lopes.

A expulsão do parlamentar mineiro por ter descumprido a determinação do partido tem sido defendida pela cúpula do PMDB. Presidente nacional da legenda e vice-presidente da República, Michel Temer não compareceu à posse de Lopes como ministro-chefe da SAC nessa quinta-feira, 17, no Palácio do Planalto. Em nota, Temer afirmou que o governo cometeu uma "afronta" com o PMDB ao nomear o deputado mesmo ciente da moção que proibiu peemedebistas de assumirem cargos no Executivo.

Apesar da pressão, Mauro Lopes afirma estar tranquilo e diz não acreditar que será expulso do partido. Para o ministro da SAC, é normal que isso acontecesse dentro do PMDB, por ser um partido grande e plural. Ele argumenta que não descumpriu determinação do partido, pois a negociação para que assumisse a Aviação Civil começou antes de a moção ser aprovada e a Pasta sempre fez parte da cota política do PMDB.

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