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Conselho de Ética da Câmara recebe segunda representação contra Argôlo

Escutas feitas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato revelaram ligação do deputado baiano do Solidariedade com o doleiro preso por lavagem de dinheiro, Alberto Youssef

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Eduardo Bresciani ,
O Estado de S. Paulo

14 Maio 2014 | 20h57

Brasília - A Mesa Diretora da Câmara decidiu nesta quarta-feira, 14, por unanimidade, encaminhar ao Conselho de Ética uma nova representação contra o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA), citado nas investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal por seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso desde março.

A representação tem origem em requerimento do PPS. O partido pediu que a Corregedoria analisasse o caso após as notícias de que as investigações da PF mostrariam o deputado fazendo pedidos que o doleiro fizesse pagamentos.

A suspeita é de que o doleiro teria enviado recursos ao apartamento funcional de Argôlo e feito pagamentos de despesas do deputado. Reportagem do Estado mostrou ainda que o parlamentar contratou com verba indenizatória a mesma empresa para a qual pediu que o doleiro depositasse dinheiro. A empresa tem três ex-assessores de Argolo como sócios.

O corregedor, Átila Lins (PSD-AM), argumentou em seu parecer que mesmo o deputado não tendo sido indiciado pela PF, sua conduta não seria compatível com o exercício do mandato e defende a cassação do colega.

"A despeito de o investigado não ter sido indiciado em inquérito policial, os fatos relatados amoldam-se, em tese, perfeitamente como incompatíveis com o decoro parlamentar", diz. "Os fatos denunciados, em tese, consubstanciam condutas delituosas, que ofendem os princípios da moralidade, e que desmerecem o mandato parlamentar. Ofendem a imagem do Poder Legislativo", ressalta.

Argôlo não apresentou sua defesa à Corregedoria. Ele solicitou mais prazo para fazer sua manifestação, mas o pedido foi indeferido por Lins. O deputado já é alvo de outro pedido de investigação, feito pelo PSOL. A representação da Mesa, porém, tem tramitação mais rápida porque não necessita de parecer preliminar. O Conselho se reunirá nesta quinta-feira para debater o caso.