Conselho abre processo que pode levar à cassação de Renan

A partir de agora, opção pela renúncia não livra senador do risco de ficar inelegível

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h55

O senador Sibá Machado, presidente do Conselho de Ética, informou durante sessão do Conselho de Ética nesta quarta-feira, 20, para decidir o futuro do presidente do Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que o processo contra o senador foi aberto. A partir de agora, um pedido de renúncia não livraria Renan de ficar inelegível caso a decisão seja pela cassação do mandato. Renan é alvo de processo no órgão por suposta quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter suas despesas pessoais pagas - pensão alimentícia para a filha que tem fora do casamento com a jornalista Mônica Veloso - pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), informou também que Renan pediu para vir ao órgão nesta quinta-feira, 21, para esclarecer dúvidas das investigações. Os líderes do PSDB, Arthur Virgílio, e do DEM (ex-PFL), José Agripino (RN), além do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) manifestaram-se favoráveis ao adiamento da votação do relatório para que as investigações sobre o caso sejam aprofundadas. Segundo eles, como a perícia da Polícia Federal sobre os documentos apresentados por Renan não foi conclusiva, votar o relatório nesta quarta-feira seria condenar ou absolver Renan por antecipação. Como a sessão caminhava para o adiamento da votação, Wellington Salgado (PMDB-MG) ameaçou largar a relatoria se fosse impedido de ler o parecer para o arquivamento. Salgado foi escolhido para substituir Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no cargo, que está afastado de suas funções por problemas de saúde. Até o senador Valter Pereira (PMDB-MS), que antes integrava a "tropa de choque" de Renan dentro do conselho, mudou de postura e sugeriu que o acusado fosse ouvido "para que exerça um instrumento de defesa que não exerceu". Renan abatido A poucas horas de uma possível definição sobre seu futuro no Conselho de Ética, Renan deixou a postura reclusa dos dois últimos dias de lado para presidir nesta quarta-feira uma sessão solene no Senado em homenagem aos 70 anos de atividade do Grupo Bandeirantes. Com expressão abatida, Renan entrou no Plenário pouco antes do meio-dia e fez um discurso no qual, destacando a importância da liberdade de imprensa no País, admitiu a pressão que tem sofrido nos últimos dias e pediu cuidado "com mazelas e pirotecnia". Ao falar da importância da liberdade de imprensa, "não existe democracia sem liberdade de imprensa", ressaltou, Renan advertiu para o fato de que liberdade de imprensa exige "equilíbrio, serenidade, ética e responsabilidade". "Sem a responsabilidade, abre-se espaço para o excesso, para a pirotecnia, tudo isso em desfavor das instituições e a bem do sensacionalismo, mazela que, cada vez mais, é banida dos valores das sociedades evoluídas", discursou. Insistindo ser um "fiel defensor" da liberdade de imprensa, Renan salientou que ela requer "consciência coletiva, sob pena de se marchar para a ditadura de opinião preconcebida que, por ser parcial, segue ao sabor dos ventos, inclusive dos ventos do preconceito, dos ventos dos interesses velados". Após presidir a sessão solene, o presidente do Senado voltou para seu gabinete e em rápida conversa com a imprensa disse que não cogita renunciar ao cargo. "Renúncia não existe no meu dicionário. Sou um homem de luta, forjado na luta. Quem fala em renúncia não me conhece", afirmou. Perícia No início da noite de terça-feira, 19, o Estado ouviu parte dos diálogos travados entre o senador Sibá Machado (PT-AC), presidente do Conselho de Ética, e os peritos Clênio Guimarães Beluco e David Antônio de Oliveira que lhe entregaram o laudo inconcluso. "Tem uma nota fiscal de venda de gado emitida para a (empresa) Carnal que foi paga com cheque. Mas não foi a Carnal que emitiu o cheque. É preciso investigar se essas pessoas (envolvidas com o pagamento e emissão dos cheques) têm algum vínculo com a atividade rural", disse o perito, admitindo que não teve como atestar se a operação envolvia ou não "laranjas" e se comercialização foi efetivamente feita. O perito também admitiu, em outra parte da conversa: "Há algumas vendas de gado, pagas com cheques, que não se relacionam. São pequenas inconsistências." Diante de uma pergunta feita pelo senador Sibá, que o Estado não conseguiu ouvir direito, o perito respondeu: "Mas não se pode comprovar (cabalmente) que haja uma ilegalidade." (Com Ana Paula Scinocca, Christiane Samarco e Cida Fontes, do Estadão)

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