FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Conselheiros não ligados ao governo não aprovam nome

Mauro Cunha, representante dos ordinaristas, José Guimarães Monforte, dos preferencialistas, e Silvio Sinedino, indicado dos funcionários, desaprovaram a escolha para a substituição de Graça Foster

Daniela Milanese , O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2015 | 18h19

Atualizado às 22h56

 Três conselheiros votaram contra o nome de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobrás. Na reunião realizada nesta sexta-feira, 6, Mauro Cunha, representante dos ordinaristas, José Guimarães Monforte, dos preferencialistas, e Silvio Sinedino, indicado dos funcionários, desaprovaram a escolha para a substituição de Graça Foster.

A decisão sobre a saída da diretoria anterior, que renunciou na quarta-feira, e a eleição dos novos nomes geraram momentos tensos na reunião do Conselho de Administração da Petrobrás de ontem. Os conselheiros não ligados ao governo reclamaram que souberam pela imprensa da indicação do então presidente do Banco do Brasil. 

O nome de Bendine não agradou aos acionistas minoritários por ser alinhado ao Planalto e distante de alguém com perfil técnico e capaz de dar um “choque de credibilidade” à estatal. As ações da estatal voltaram a cair ontem na Bovespa em razão da mudança na diretoria.

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O descontentamento ficou explícito na nota divulgada por Cunha. “Gostaria de dizer em público as verdades que pus em ata, mas correria o risco de sofrer retaliações, como já sofri no passado. O acionista controlador mais uma vez impõe sua vontade sobre os interesses da Petrobrás, ignorando os apelos de investidores de longo prazo.”

Como os nomes da nova diretoria vieram prontos, só restou aos conselheiros mais independentes votarem contra a indicação do governo. “É mais alguém da confiança do governo para ingerir na companhia”, afirmou um participante. “Agora, 100% dos conselheiros não entendem do setor de petróleo”, apontou, ao lembrar que Bendine entrará no conselho no lugar de Graça, a única com profundo conhecimento da área até então. 

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega continua na presidência. Ele conduziu o encontro de ontem e apresentou o nome do ex-presidente do Banco do Brasil com elogios.

Sinedino publicou seu voto na sua página do Facebook. “As indicações por partidos políticos, como a Polícia Federal e a Justiça, acabam cobrando um alto preço em corrupção e malfeitos”, disse o conselheiro. “Nosso voto é contrário aos nomes propostos, não pelo mérito pessoal, mas pela forma da indicação sem consulta aos trabalhadores da Petrobrás.”

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