Congresso já debate sucessor de Renan; Sarney é cotado

Caso senador renuncie, vice assume e tem cinco dias para convocar eleições

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

O debate da sucessão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mal começou nos bastidores do Congresso e já surgiram os primeiros sinais de que a eventual troca no comando da Casa pode gerar disputa na base governista e prejuízos ao Palácio do Planalto. Embora o nome do senador José Sarney (PMDB-AP) tenha surgido como a primeira e mais forte alternativa do PMDB para se manter à frente da direção do Senado, setores da oposição reagiram mal a esta possibilidade e movimentam-se em busca de uma outra saída. É o caso de boa parte do PSDB, que começou a discutir este assunto na última terça-feira. Tucanos de expressão nacional, como o líder Arthur Virgílio Neto (AM), rejeitaram a alternativa Sarney, classificada por dirigentes do partido como "um retrocesso". O ex-presidente da República, que já comandou o Senado nos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, tem a simpatia de setores do partido Democratas para voltar ao posto. Mas também há, no DEM, quem defenda a tese de que o melhor, agora, é procurar outro perfil menos identificado com o governo. No caso de afastamento voluntário de Renan, deixando vaga a cadeira de presidente, o vice petista Tião Viana (AC) terá o prazo de até cinco dias úteis para convocar nova eleição. O regimento também diz que vale a regra da proporcionalidade das bancadas, que confere ao maior partido - o PMDB, no caso - a prerrogativa de apontar o nome do presidente a ser eleito pelo plenário. Embora o DEM tenha lançado a candidatura do líder José Agripino (RN) contra Renan, no início do ano, o próprio Agripino diz que, agora, a situação é outra e que não está disposto a lançar-se em uma nova disputa. Que Sarney tem força no PMDB, ninguém discorda. Também há o entendimento de que ele fecharia o PT a seu favor, com o apoio do Planalto. Mas entre os peemedebistas mais experientes e influentes também há a convicção de que ninguém se elegerá presidente sem o apoio de Renan Calheiros. Mesmo na hipótese de renúncia, a avaliação predominante é de que Renan será o grande eleitor. Por isto mesmo, os líderes da oposição já estão tratando de se articular com ele, preparando o terreno para uma aliança em torno de um perfil mais "independente" em relação ao Planalto. De início, dois nomes foram lembrados: Gerson Camata (ES) e Garibaldi Alves Filho (RN).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.