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Confiança no governo é cristal que quebrou, diz Campos

O governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB) comparou nesta quinta-feira, 27, a relação de confiança entre o governo brasileiro e a sociedade a um "cristal que quebrou". Na sua avaliação, esta crise só será superada nas urnas, pelo voto.

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ANGELA LACERDA,
Agência Estado

27 Março 2014 | 12h33

"Não tem ninguém que tenha varinha de condão para dizer agora não, agora este cristal não está quebrado, o cristal quebrou", afirmou em entrevista coletiva, durante o lançamento do portal do Instituto Miguel Arraes, no bairro do Poço da Panela, no Recife.

Para ele, o que existe no País hoje "é mais do que uma crise macroeconômica, é uma crise de confiança e expectativa" que vem da percepção das pessoas, da sociedade, do mercado, de não saber para onde o País está indo, qual o plano de voo.

"As idas e vindas do governo em vários aspectos terminaram por criar essa compreensão", observou. "Pode até o governo chegar e dizer que o projeto é esse e esse, mas as pessoas não percebem, então ao invés de marcar encontro, começa a marcar desencontro".

Campos destacou a importância - e a inexistência - de uma narrativa de longo prazo, que envolve indicação de reformas e regulação de setores estratégicos, para se criar confiança no roteiro a ser trilhado. Moderado, afirmou que os problemas relativos a fundamentos macroeconômicos já foram maiores no passado e que há outras nações com mais problemas do que o Brasil. "Não dá para esconder que há problemas, mas também não dá para dizer que é um caos absoluto", frisou.

"Temos problemas que podem se avolumar na medida em que não se tomem providências, esta é uma questão", pontuou. "A outra é que quem vai resolver isso são as urnas, é a sociedade votando no caminho da mudança".

Ele reafirmou existir um fosso entre o Brasil real e o Brasil de Brasília, onde a sociedade não percebe seus interesses representados, e destacou a necessidade de "animar" a população a participar, diante do risco de desânimo e apatia da sociedade. "A energia que pode mudar o Brasil é justamente essa energia dos que querem uma representação mais próxima".

"A gente está percebendo claramente que as conquistas estão em risco: o governo não conseguiu melhorar o Brasil, que está piorando em vários aspectos, e nós brasileiros não podemos entender que não temos um papel ou que o papel é só do governo", alertou. "O papel é de todos nós".

Instituto Miguel Arraes

O lançamento do portal do Instituto Miguel Arraes ocorreu em um ato pela passagem dos 50 anos do golpe militar de primeiro de abril de 1964 e da deposição do então governador de Pernambuco e avô de Campos, Miguel Arraes, que só deixou o Palácio do Campo das Princesas, preso.

Amigo de Arraes e seu ex-assessor, Ivan Rodrigues fez um relato emocionado relembrando o momento em que o ex-governador disse ao oficial do Exército que ele não tinha autoridade para o depor e que só deixaria o palácio preso. "Sou governador de Pernambuco e exercerei meu mandato até o último dia, esteja onde estiver", afirmou antes de receber voz de prisão.

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